Set/'022

 





   Fazem dois meses que a vi, mas parece uma eternidade - sonhei com você hoje - estávamos tranqüilos, conversando com a voz suave, lado a lado, frente a frente; eu vi de forma sutil, o olhar macio como uma cama reconfortante, sua boca enquanto falava e o sorriso se desenhava como a curva leve de um córrego numa planície; as pintinhas de sua pele, as falanges de seus dedos; no umbigo ainda faltava o piercing que eu perdi no dia de nosso primeiro encontro. Lá fora, uma chuva contínua, o céu cinzento, que apesar de gostar, ilustra muito esse momento de minha vida: eu a procuro, mas só vejo nuvens pesadas e impossibilidades. Lágrimas caem do céu, hora após hora. Há uma camada de obstrução, mas meu sonho compensa parte dessa saudade. Isso é como a ação que deveria ter tido a exatos dois anos atrás - planos, metas, desejos, significados, todos distorcidos e esquecidos por nuvens espessas e um céu não-nobre.


   Há o esconderijo dos sentimentos, do cansaço, da desorganização. Aqui nesse espaço se apresentam meu sangue e discórdia e obsessão; no sonho, sua companhia é um alimento e abrigo, na vida real, não foi diferente, sinto isso mesmo hoje. Eu adorei esse sonho, uma pena eu ter acordado. Gostaria de re-conhecer você qualquer dia desses.


[12/Set/'022]

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