Meus amigos sorriem e os vejo como que d'um ponto meio distante. A noite é tépida, o céu está limpo o suficiente para avistar algumas constelações e, uma leve brisa farfalha algumas folhas. Eles estão falando sobre trabalhos, sobre viagens, sobre amigos; sobre séries, dança, piercings, rolês, tcc.

A luz amarela os banha, há o contraste com o reflexo do piso de madeira, e parte de mim se sente muito, muito antiga ao observá-los. Estou ali e não estou. Há um mundo de possibilidades.

Interiormente, uma coleção: atos singelos, sorrisos que passam desapercebidos, a satisfação das brincadeiras feitas; há o espírito de equipe, manisfestado ao perceberem um "inimigo comum" - nesse caso muitas vezes, algum professor...

São três - uma delas abaixa levemente a cabeça para pegar algo na mochila; com m'espírito de máquina fotográfica, registro a cena e desfoco o fundo. Adorei o resultado, e guardo-o. A outra a faço em P&B: a luz incide nos cabelos brilhosos e o contraste com a expressão leve de seu rosto é ótima. Depois meu amigo: Ele sorri; sua postura fala, seus ombros falam. É jovem e não esconde isso. Registro-o. Há uma quarta pessoa, mas ela não está. Carrego-a, no entanto. Há um álbum com sorrisos, cara amarrada, histórias breves, como a da tentativa frustrada de ter um gatinho, enfim. Folheio ele enquanto fotografo seus amigos, como se evocando sua presença, como se seu duplo pudesse preencher isso.

Como os filmes ainda não foram revelados, tenho certa insegurança em tirar esse álbum de seu lugar e expô-lo a luz da vida "real", e aí, expostos nas circunstâncias impensadas dessa, acabe por ter as imagens avariadas sem querer.

Se "viver" internamente apenas, o risco de perda é menor e os sorrisos não se esvanecem. Os filmes ficam congelados.

Avisto em cada um sua própria construção, com seus andares, túneis, labirintos, os quais daqui, posso apenas inferir-lhes o funcionamento. Leio essa imagem citadina e num enorme painel, colo as lembranças antigas e recentes; costuro com aguda agulha os atos poéticos e com navalha escavo paixões, para uma litogravura. Diálogos esculpidos e lapidados.

Guardo esses dias num santuário interno. História a ser rememorada.

PS: mais uma foto retirada de um site muito legal! : http://www.memoriar.org/

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