"Shinji"








Minha cabeça está estourando, dói muito, literalmente. Fazia tempo que não sentia isso. Fraqueza, vergonha, remissão, dor, entrelaçamento, tudo junto. Lembro de quando li Neon Genesis Evangelion, aos 14/15 anos. Um anti-herói, um "sol da fraqueza".

Ele sempre hesita.


...Na verdade queria ter entrado; queria ter descido mais uma vez aqueles velhos lances de escada e tomado algo e talvez falado algo de verdade e não apenas resmungado e gesticulado, como venho fazendo, bancando a caricatura. Na verdade estava atrasado - sempre estou, e não fosse isso, talvez um abraço de verdade e palavras de verdade, e aproveitado de verdade a oportunidade, falado algo, algo que fizesse algum sentido. Passou-se um bom tempo afinal.

Não esperava te ver; só queria entregar as coisas e ir, só fui pronto pra isso e nada mais, nada além disso. Nada. Desenhei as linhas guias de minhas ações e do que aconteceria em minha mente, mas na hora, elas esmoreceram. A vida nunca me obedece.

A face é a mesma de pouco mais de meia-década atrás; o mesmo sorriso simples, pálido e levemente adocicado. A mesma vibração. Não consegui reter o olhar muito tempo, num misto de despreparo e vergonha. Não esperava por isso. Não sei dizer se olhar doeu ou não, se cegou ou não, se aludiu a algo além de minhas lembranças ou não. Que caos.

O Sol já havia decaído e a noite tomou conta mais rápido do que espereva. Nenhuma foto batida do ônibus, ou na rua; não fiz parada alguma nos lugares de parar: como a doceria ou o mercado, parei apenas nos lugares de ida, despedida: portas para rua, pontos para ônibus - sempre num ônibus, dirigido, guiado, nunca guiando. Como Ikari Shinji, a contragosto pilotando seu Eva, a contragosto, dou alguns passos. Antes de caminhar, apenas pensei "Ess muss sein". Que doideira. Parece que habito a ausência, moro nela, enrolado num cobertor. Acho que estou meio maluco.

Isso tudo me cansa.

Me odeio.

Meus olhos doem...


Opeth - Hope Leaves, álbum "Damnation" (2003)

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