Cada ideia, sonho, pesadelo, imagino que crie sua própria realidade e suas linhas de acontecimentos. Às vezes essas linhas paralelas se manifestam na arte e vem como realidade sob a forma de entidade ou de suposições, histórias ou sonhos. Místicos tratam isso, e tentam alcançar esse "presente" alternativo, por meio da "paragressão", uma forma de meditação centrada em achar esses pedaços de "realidade" simultânea. É como achar uma resposta para o "e se...", ou, fazendo referência ao anime Naruto, e a casos de "bilocações" é como se tendo mais de um corpo, mas este compartilhando a mesma consciência, passasse a viver as mais diversas vidas e situações, simultâneamente (até o limite do possível em tal situação). No meio sacro cristão-católico, bilocação é esse fenômeno de, digamos, multiplicação de corpos dividindo a mesma consciência, que corresponde quase que a mesma coisa que o "duplo" ou "doppelganger", mas com uma diferença: a bilocação ou os "kage bushin" da animação japonesa, são de fato apenas corpos que estão dividindo a mesma consciência, já o duplo, é um tanto maligno normalmente, uma mera cópia da aparência do corpo ou uma projeção de um desejo inconsciente da pessoa em estar em determinado lugar. O presidente estadunidense Abraham Lincoln viu um duplo, e entendeu esse como um presságio, pois lhe faltava parte da face - com efeito o foi: ele foi assassinado na metade de seu mandato.

Imagino como seria se agora, ao mesmo tempo, soubesse como seriam outras vidas possíveis; penso em como seria ter a experiência de absorver a sensação de outras vidas, ainda que essas também acabassem por ser devoradas; como seria se duplicar, ter na mesma mente duas ou mais realidades?

Indo para o pessimismo, se uma única realidade já dá um trabalho infernal, mais de uma pra mesma consciência então..., No entanto, na mente, na imaginação, é possível com um pouco de dedicação tentar submeter essas propostas de vida paralelas a uma projeção, a menos é claro que você seja um praticante de meditação paragressora.

Se pudesse recolher o mais precioso de algumas realidades, talvez minha existência tivesse um quê de melhor, um fulgor, um orgulho. Poderia ter me relacionado com pessoas as quais desejei muito a companhia; ter me portado melhor com outras; trabalhado em mais lugares, feito mais cursos e não ter abandonado algumas escolhas. Num ideal de vida mais plena, a certeza de que ao sair desse lixo, deixaria de viver satisfeito, pois fiz boa parte do meu melhor, senão o meu melhor quase pleno.

Não sei se dá muito tempo ainda. Não dá pra viver a mesma vida duas vezes e comparar, pra fazer a melhor de três; algumas escolhas ou ações, uma vez feitos não permitem retorno. Uma garota me posta "Dance primeiro, pense depois", mas pra meu espírito essa ordem é quase uma ordem, um pedido pra entrar em "bug". Fui mal dançarino até agora. E pensar e dançar, têm seus atritos.

Acho que boa parte das situações, senão todas, podem ser dadas em porcentagem: "estou 74% correto e 26% errado", por exemplo; não acredito que a balança simplesmente se coloque em "sim" e "não", "pesado" e "leve", e outros estados maniqueístas - "ao polarizar algo, uma situação por exemplo, na verdade você está se afastando dela", - sem bom vs ruim, para poupar um suposto trabalho a mais que teria e com a carga de pensamento subsequente, apesar dessa drenar o ser para a erosão.

Não pretendendo polarizar, fui chamado inconsequente. Se fosse possível um duplo, talvez, contrariando o que escrevi num paragráfo anterior, dançar seria mais fácil, pois o faria simultâneo com o pensar. Tentar não apagar os rascunhos dessas possibilidades, tem sido minha Tentativa de Salvar o Mundo.

Comentários

Postagens mais visitadas