2016 à esquerda




   Confuso com a noite, com as manchas vermelhas que marcham; sei que muitos dos acontecimentos d'alguns anos para cá, são uma imitação de realidade, com suas falácias e contradições. É uma guerra política o que se trava nesse momento - de livre e espontânea vontade, faço-me voz e pulso.

   Com camisas da CBF, crêem que as coisas crescerão como um bolo com fermento; a tempos sei como fermento pode fazer mal, como a pressa pode deixar mais fome que saciedade. O lado que tomei, resiste. Isso sim me atrai: resistir. Não preciso usar cores de qualquer nação, o vermelho que tremula em hastes é um símbolo de testemunho - o testemunho d'uma idéia e seus desdobramentos, de um conceito de como o mundo pode ser gerido, e como todo esse movimento, potencialmente ultrapassa qualquer conceito, inclusive o de nação. Ao término, somos todos vermelhos; "vermelho é uma cor lenta", e como tal, não se preocupa em somente vencer corridas, mas a todas e em todas, participa e testemunha.

   Não pertenço ao Brasil, não pertenço ao mundo, não pertenço nem a mim mesmo, provavelmente; depois de ver um homem com quatro dedos resistir, pensei que algo está errado: não existem ou não deveriam existir heróis entre políticos; menos ainda entre juízes: juízes têm que ter juízo, e quem tem juízo, não vira herói, como tem-se assistido nos últimos meses.

   Esse sistema todo, está faminto, brutalmente faminto - pensando assim, até faz sentido usar o termo "coxinha", como aquele que de espontânea vontade serve de alimento a todo esse monstro político; em contrapartida, os vermelhos "pulsam", com sua marcha compassada mas constante. Esse sistema pulsa de menos e "come" demais.

   Nesse momento, a Lula parece quase submersa; 'stou apreensivo: pescarão-a? Ela mostrará seus tentáculos ou se tornará um Kraken? ... Veremos. Só sei que esse movimento todo me trás uma lembrança do "futuro", que monótono e lento se repete.

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