Aqui vem os pensamentos e me confortam, aqui vem as lembranças e me reconfortam; uma esperança minguante e complacência flertando com incompetência (ou seria impotência?). Se desse pra fazer uma "bola de papel" com minha vida e começar de novo, do útero, em 1988, será que valeria a pena? Manteria signo ou sexo? Poderia ser d'outro, quem sabe, d'outro Estado, d'outra espécie. Viveria até a média humana, desapareceria sem deixar fóssil - essa parte, talvez cumpra, em minha vida vigente.
Acho que me enchi de vazios - o vazio de dias vastos como vales, o vazio de úteros (esses, menos do que gostaria), o vazio do ócio e de pensar no vazio, em como sou feito dele, como o Universo é feito dele. Deixei esse rastro de decepção em várias vidas, em gente bem próxima que talvez amei, em gente que nem tanto assim, com pouco ou nenhum laço. Agora paro pra me olhar de soslaio e pensar no que estou fazendo. De novo. Estou cansando disso. "A título de enterro, preencha-me com terra ou com fogo", dirá meu desejo, dirá um de meus últimos. A título de pensar, falho, a título de melhorar, perco-me. Tenho chego a conclusão de que por alguma razão das poucas coisas das quais faço questão, dentre elas falhar e perder-se estão sempre em voga. Tenho que acabar com isso, e dar um pouco de terra aos pensamentos em decomposição.
Fonte da imagem: https://www.thewire.co.uk/in-writing/interviews/burial_unedited-transcript

Comentários
Postar um comentário