Majestade tergiversa dentre ruínas





Alegorias que entrevejo - oblíquo, como luz eclipsada por incertezas
Inverdades - vida dói, percepção lamenta
Sinto-me feliz co' me' próprio sofrimento
Orgulho soergue sua crista
Mil gerações murmuram e espargem seus sussurros em me's'ombros
Corpo tremula tal qual estandarte

Em excitação e sangue, tudo em redor é pó
é pó feito lama, lama de Adão desfalecido
é pó feito carne, lágrimas e pecado

em recolhimento, observar as alvoradas que se sucedem
nada ter, algo prover
palavras vazias ditas em solitude se erigem em caótico desfazer
edifícios inteiros de falhas e auto-indulgência

Rei sobre essas vozes e territórios clareados pela razão, obscurecidos pelo medo
 - crista d'orgulho cintila firmemente sobre algumas mortes,
qualquer morte, auto-morte
Rei de fragmentos de razão - ruínas de memórias desintegradas

Em excitação e sangue, tudo em redor é pó
é pó feito lama, lama de Adão desfalecido
é pó feito carne, lágrimas e pecado
junto a imagens de desfavores
Ingrato sob sua própria obrigação
todos pensamentos dissolvem-se n'água

Dias: pequenos condes
vida: terra semi-fértil, com demarcações mal-delineadas
Delego aos pensamentos seus solstícios
Orgulho arde como Lúcifer

Queda/Ascensão
Degringolar 'té niilismo
algo ocorre sob os terrenos semi-férteis
terra racha, reino sucumbe
dignidade d'um inverno severo
que colheitas d'idéias cerceia:
que os olhos se machuquem co' alvura

"A pé tive que atravessar o sistema solar"
para ver desertos, crateras, terras inférteis
raciocínio falha - cái

Como testemunha de própria vida
'té que nada haja em redor e derredor,
cego e semi-morto
autoridade é nula ante o vale
nula ante o vale
luz que reflete de coroa
preenche sulcos da terra de claridade pálida lânguida

Hora de outorgar iniciativa e liberdade
aos espaços vazios que condecorei

falho, torço, lamento, falho
os vestígios de sonhos são os cidadãos
ao deparar-me ante trono, reino, vida, me's'olhos fracassam

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