Lá se vai quase um ano desde a última postagem. 2018, 30 anos, foi ano de certa estagnação, mas isso não é exatamente novidade - a diferença é que dessa vez, me deixei numa inércia admitida, reconhecida e até certo ponto, desejada, parar um tanto a percepção de tempo. Uma vitória do conformismo. Não que aprecie isso com maus olhos; acho que pra muita coisa, meu senso de valor anda mais frouxo, então, ao invés de me exercitar, ou fazer algum curso, estudar, me mover, fui como água retida num aquário, a fazer apenas o básico, sem tentar crescer, construir, etc. Um hiato, hibernação.

   Alguns pontos: pensar bastante, medir. Por um período anterior, apreciava as paixões, hoje, se me percebo apaixonado, há o movimento de "pára, respira, verifique se é isso mesmo a ocorrer". Quanto peso não joguei e quanto não me jogaram, por uma ilusão "salvadora". Sem que haja salvação ou perdição, ou Paraíso, e mesmo que haja, é um tanto demais pedir a alguém para arcar, mesmo que dividido com isso. Bancar a/o nietzschianx? 'Toh fora. Não à toa faleceu sem sanidade, moído por seus próprios sentimentos. Mas uma noção me vêm mais lúcida, após horas e mais horas ouvindo e pensando no conceito de Leviathan, October Tide, Katatonia, Daylight Dies: queira viver pouco ou muito, potencialmente suicida ou não, não pode ser motivo para estragar sua qualidade de vida. Querer se matar e virar um junkie ou alcoólatra não deveria ter uma relação tão direta; exista ou não outra forma de consciência depois dessa, essa vida é única, e mesmo querendo viver pouco, esse pouco deve ter uma qualidade aceitável, algum senso de dignidade, como um bom livro, porém curto.

   Não recordo agora porque certos animais hibernam - sei que tem a ver com o inverno severo, para sobreviver até a primavera, mas analogamente não acho que passei por um inverno. Tive vários, mas 2018, 2017, não foram isso, mesmo com seus altos & baixos; mas agora, com uma gota cética de esperança, acho ter sido uma pausa necessária - como já disse noutra vez, um preparativo para achar uma nova escuridão.

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