Me pergunto às vezes como o Novembre consegue escrever cada vez músicas mais bonitas. Bem, acho que faz um bom tempo já, em que a mídia do metal está muito mais preocupada com a virtuose e o peso, do que se as bandas têm um diferencial, e isso, é algo inegável nesse talentoso grupo italiano. É Doom, mas também muito Prog; é possível sentir elementos do Gótico e até mesmo Death.
Com doses certas de técnica (que não é pouca), climas desenhados com uma melancolia leve, nostálgica, algo que deve remeter um pouco às calmas paisagens da Itália, o grupo nos presenteia com 11 faixas, e mais dois B-sides da época de "Novembrine Waltz" (2001).
"Aquamarine", com Delays e Echos num clima "aquático", algo que passa sim certa sensação de ondas e fluidez, abre com agudos belos e suaves por parte do vocalista Carmelo Orlando. Há a bela "Jules", com trechos cantados em italiano (coisa recorrente na discografia deles), numa abertura acústica em Crescendo, que descamba para distorções e uma bateria destruidora, numa música que ao mesmo tempo é delicada e bela. Como eles fazem isso com pedal duplo e guitarras 7 é notável: essa é um dos destaques do álbum, como o mar, caminha nos ouvidos de quem a ouve, como o garoto solitário da capa - melodia belíssima.
O álbum só não conta com muitos guturais, que foram tão utilizados em "Classica" (2000) e o já citado Novembrine Waltz. Numa comparação, é um trabalho relativamente mais próximo de "Arte Novecento" (1996), se for considerar apenas esse recurso, mas com inegável maturidade e calmo, sem o desespero da época (que diga-se de passagem, também era bom).
Carmelo Orlando, Vocalista/Guitarrista, dá um show de interpretação; recomendo a quem queira se iniciar no Doom metal, e mesmo como um "pré-Opeth", mas ainda não tem ouvidos ou foge da agressividade do Novembers Doom ou da aura meio "espiritual" do My Dying Bride. Vale uma conferida.
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