Falta
Bom, 'tah chovendo, é outono, e 'stamos quase em junho - aquela época na qual o dia até pode ser bem quente, mas tarde e noite gelam. É possível que pra você, nesse momento, eu seja apenas um maluco, ou um "stalker", qualquer coisa de ruim assim. Eu não faço idéia do que você pensa sobre isso tudo sabe? Eu, a relação que passou, minha loucura, etc, etc. Sabe minha querida, eu "quebrei" após você. Sei que pode soar talvez malvado ou egoísta, mas eu gostaria que todas as pessoas "quebrassem", mas tipo, de verdade, a ponto de retornar a um estado infantil, como aconteceu comigo e com meu pai, mas a vida não é justa: muita gente passará por essa Terra, sem ter noção nenhuma do tipo de transtorno que é isso, ver tudo ao seu redor ir perdendo as cores e sabor. Eu não sei se isso já aconteceu contigo - pelo que reli de nossos diálogos, lá no princípio, me parece que apesar de ter passado por situações MUITO doloridas, nunca chegou nesse estado - a sensação geral, é a de que você voltou a infância ou pré-adolescência, mas só. Isso não é legal, mas parte considerável de nós, 'stamos sujeitos a isso, e eu fui um dos atingidos. Alguns tem a vida "completamente refeita", no prazo de poucos meses, outros, a vida se torna pó.
No Whatsapp, às vezes por dias, apenas silêncio, nenhuma palavra de ninguém, e sua foto ainda é cinza. Em casa, os miados, e a companhia, irresponsável e inconseqüente minha, d'um monte de gatinhos, mais do que deveria ter. Houveram épocas, nas quais fantasiava uma vida eremita, no gelo ou na floresta - talvez na Rússia, Argentina, sei lá. Svalbard, por quê não? - isso que vivo hoje, é o mais próximo que consigo chegar disso no momento. A gatinha "Bia", se arrasta até o brinquedo; se tivesse tido uma filha com necessidade especial, será qu'eu seria melhor? - certa vez disse-me "você seria um pai dahora"; será que seria mesmo? Ou deixaria tudo nas costas da mãe?; me pergunto se seria mesmo um bom pai - eu nunca fui um sujeito com estrutura; na Idade Antiga, não raro sujeitos em condições análogas as minhas para a época, morriam solteiros, porque não dava pra contrair matrimônio sem ter um certo nível de recursos - e convenhamos que te "suguei" demais, mesmo sem querer, e tenho muita vergonha disso. Não foi justo. Quando eu penso sobre tudo aquilo relacionado direta ou indiretamente a você, ainda dói. Às vezes a ponto de numa segunda de folga, isso me deixar soterrado na cama, molhando o travesseiro, às vezes é tolerável. Ainda dói. Por quê que tudo isso aconteceu? Será que sou como um bonsai, uma árvore que nunca cresce?
Não tenho mais otimismo. Seria legal tentar sonhar de novo, mas sempre que tento implementar, quebro a cara, algo acontece ou impossibilita. Ou eu mesmo me atrapalho. Me tornei um "Songless Bird". Eu ando meio cansado de lágrimas.
And start to dream of somewhere
To relax their restless flight
Somewhere out of a memory
Of lighted streets on quiet nights
Ainda me falta conhecer muito sobre o Rush; ouvi alguns álbuns, coisa pouca, mas com alguma regularidade, o mesmo para Beatles. Naturalmente, não é o tipo de som que abraça meu coração, isso o My Dying Bride, Tristania, Swallow the Sun, Ava Inferi ou Leviathan fazem, mas desde que me recorde, quando me dá curiosidade sobre as letras, ao ler as traducões, fico positivamente surpreso. Mesmo as mais melancólicas que li, não possuem a mesma carga épica, dramática, trágica ou sombria que alguns dos grupos que citei têm, as que li, mesmo sendo muito, muito boas, têm um apelo mais "social" ou "racional", para minha percepção. Ou melhor, mas isso acho que não é uma questão apenas do Rush, mas acho que da maioria das bandas até o Portishead, talvez: há pouco subtexto. Ava Inferi tem subtexto, é como Kafka ou Kundera, cada página tem mais do que está escrito. Apesar disso, essa acima, "Subdivisões", em português, encontrou algo em mim. Eu gostaria de habitar minha memória, no lugar desse dia-a-dia que tenho. Também, quando lembro de parar pra ouvir alguem álbum deles, as coisas dóem um pouco menos, é como se me reaproxima-se um pouco, e passasse a te conhecer um pouco melhor, coisa na qual fui negligente quando tive oportunidade, mas isso acontece faixa a faixa.
"Loneliness aplenty spread before me"
(26/05/2024)
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