Parece que a vi, faz uma eternidade, parece quando olho pra trás que tudo que passou sequer era minha própria vida - mas lembro da materialidade, dos gestos e das coisas que me foram apresentadas. Está quente, mas minhas lembranças são frias, mornas, algumas outonais. Ah! Parando pra pensar bem, tem sim coisas quentes: a virada para 2020, as tardes de café com a porta aberta. Talvez agora seja apenas uma memória devastada, um alimento para seu desprendimento. Mas eu lembro dos cafés, gestos, do clima. Gostaria de te encontrar "Nossa! Como você 'tah?"; "café, água, cerveja?"; como vai sua pessoa? Até onde chegou? Está satisfeita? Contente? Indiferente? E sua família?

... o tempo está a passar - um relógio de sangue, uma vida a decorrer. Sinto o peso de todas as lembranças abaixo de montanhas de dia-a-dia, mas por alguma razão que desconheço, apesar de minha falta e mal uso do respeito, ainda a amo. E parece que mesmo que um Everest se erga acima de mim, isso ainda correrá nas mais profundas raízes, tal qual um rio subterrâneo.

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