XIX/XXVI
"Eu 'stou
lhe esperando
Eu 'stou
lhe dando
um tempo...
E espero
Que Você
Não me deixe sempre
na Cruz"
...Pai cantava isso às vezes quando era pequeno - não eram bons tempos, mas isso era bom; o que poderia chamar de "ente querido", "pai", 'stava atrelado a lembrança das notas e interpretação dessa e de muitas outras músicas. Foi longo hiato até aqui, uma espera, uma Cruz; "enfrentar a culpa e tentar superar/eu não estou lá ainda"; sim, passou o hiato de tempo, mas não o de espaço, um abismo, milhas e unidades astronômicas de distância, e as fibras de meu desejo ascendem aos céus, tentando alcançar - com quanto desejo logro tornar algo invisível e inerte, visível e corpóreo?
... vamos por partes:
Hoje senti essa lembrança e muitas outras; nalgum momento, que não sei precisar, essas coisas divinas foram como feels provindos do céu, um tipo particular de astro com cauda, e essas pareciam tão próximas, que forte era o impulso d'erguer as mãos e tentar tocá-las. As sensações levaram a necessidade de comida e bebida, e na Maravilha de conjecturas, projeções e lembranças, a matéria padeceu. Acho que foi Tolkien que disse que "você póde encontrar algo que perdeu, mas nunca algo que abandonou" - não tenho certeza do autor, mas o conceito é esse; pois bem: na displicência, os fios arrebataram coisas queridas, coisas as quais somente com muito zêlo e fé, voltariam ao mundo, a um nível pleno de materialidade; aos poucos, após tocarem os feels, gradualmente foram sumindo de meu convívio. Numa cerimônia, casei-me com uma fantasma, "você era apenas um fantasma em meus braços", lembra? Lembra dessa música? Tocava ela com freqüência seis anos atrás; em alguns, para alguns, os feels se rompem, e o desejo se concretiza, noutros, desaparecem, e de quando em quando assombram.
Feels vindos do céu, podem ser salvação, fôrca, isca; dado meu abandono aos queridos, para vós fostes salvação, ao passo que pra mim, for(ç)a. Sangro Salvação.
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