25/10/2025

 


   Pra ela, Tudo foi Nada, pra mim, ironicamente, após todo o término, Nada foi Tudo - eu a vi "Oi, tudo bem?", algumas palavras, o som foi recíproco, mas o Dom não - "Quer mais algo? (meu trabalho é servir afinal), "Não, obrigada". Desvios: minha presença deve ser-lha nociva; gestos e gestos, olhares ao lado, vezes como se eu não existisse, vezes como se eu fosse um incômodo, um estorvo ali; nem meu trabalho, talvez a coisa mais basilar de minha maldita Vida, servia de bandeira branca ou ponte ou reconhecimento. "Unforgiven", cantava Ela, e pensava se não era esse o adjetivo a mim atribuído, e por isso, nada mais que uma frase (queria ao menos um parágrafo), nada mais que um "joinha" (nenhum abraço apertado, para comprimir a dor, deixá-la num espaço menor). Mas tudo bem; esse foi o primeiro dia d'um trabalho novo, eu não sou Nada, e com efeito, não tenho Nada a oferecer. 


   Ainda dói - para Ela passou, pra mim ainda ecoa. Para ela fui uma chuva inconveniente, pra mim, uma Era que ainda não passou, e talvez, não passe: um neolítico que abarcará todos meus dias até que 'steja eu extinto, sabe? 


   Em décadas eu serei apenas uma História esquecida, se já não sou: uma nota de rodapé, todos os Destinos escritos, todo mundo em silêncio, um acidente de trajeto em sua Vida, mas quando esse tempo chegar, você será relva e terra, ossos, e eu, espero ser cinzas. Pedirei a água, a santa chuva purificadora, que me leve aos céus e me precipite, como num segundo suicídio. Ao cair molhando sua terra, não estaremos mais apartados, eu não serei só mais um louco e nem você uma vítima, eu não serei mais um tolo e você só alguém que quer viver sua Vida em paz, até porquê, essa já teria se encerrado, seremos Milagre e Silêncio, serei nutrição e você terra e relva férteis após chuvas de verão.

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