"traga o Sol, para perto de meus pulmões rancorosos;
respiro seus braços - no (C)éu,
nuvens em preto e branco remoem tempestades."
Desejar e esquecer: uma relação que acho que é bem intricada entre duas coisas que são talvez, pólos do mesmo imã. Em História sem Fim, Bastian foi vítima de uma máquina incrível, que acho que todo mundo deve ter em si: a cada desejo realizado, uma esfera com lembranças caia de algo que era como um reservatório com todas elas; as lembranças caiam rumo a obliteração cada vez que um desejo era realizado. Bastian esqueceu os pais, os amigos, eventos, dias, e só pode salvar o reino de Fantasia e ele mesmo, a partir do momento no qual fez um desejo (derradeiro por sinal), capaz de romper com todo o ciclo da máquina e da rainha negra. Para cada desejo, uma lembrança perdida.
As criaturas que destruíam Fantasia e seus cidadãos, "brotavam" da terra, eram pontiagudas e fortes, mas ocas por dentro; as esferas transparentes, com cenas apenas, outras com dias inteiros, com pessoas, eventos.
Talvez, cada vez que se deseje muito algo, alguma coisa se esvaia da mente, do espírito - mas se for assim, como saber o que está rolando rumo o esquecimento? Se desejar é concentrar sua energia num único foco, deve fazer sentido que aquilo que seja mais frágil de ser mantido, se desprenda dos grilhões da consciência: as memórias são postas em outro plano e deixam de ser uma prioridade de qualquer categoria; da energia necessária para manter lembranças é que vem a força para sustentar desejos. Os anseios crescem e se alimentam do próprio desaparecimento. Até que se faça um desejo capaz de fazer com que se esqueça do próprio esquecimento.


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