Quando comecei não sabia ao certo o que fazer; não sei até agora - todas situações mais "dentro" do que "fora", de parcerias na escola a amores. Ou ao menos era ou foi assim. A primeira namorada imaginaria, dançou comigo na Festa da Copa de 1998: a beijei, enrosquei-me nela; ela tinha o nariz arrebitado e fino, e em minha imaginação, encostava meu nariz no dela, como um gato; ela tinha um sorriso um tanto sem graça, mas me povoou, e jamais concretizei uma relação de qualquer tipo com ela.
Sucedeu com meu primeiro "melhor" amigo: de fato éramos colegas de sala, mas não nos falávamos tanto assim - não sei o porquê ser "melhor amigo" em minha cabeça, sem uma vivência concreta, sem algo que justificasse o título.
Depois, tendo por fundo dias nublados, com o céu em matizes de cinza e azul, tornei-me engenheiro. Depois clínico geral, pois gostava da Agente Scully de Arquivo X. Tornei-me astrônomo, físico, filósofo; uma quimera tão exagerada, que queria algo pr'além de Dr. House, Agente Fox, Patrick Jane e qualquer personagem que fosse destacado por ser um prodígio; minha fantasia deglutia-o e suturava as sobras.
Há um espaço impossível de ser medido entre o criado mentalmente e as entidades que se manifestam na vida aparentemente real, e justamente pela distância ser considerável é que é fácil perder-se (decepcionar-se, esvaziar-se). Soube faz pouco tempo que se você caminha num deserto e vê montanhas no horizonte, deve-se multiplicar a distância aparente por três - assim, se sua salvação do deserto, as montanhas, parecem estar uns 15 quilômetros, na verdade estarão a aproximadamente 45. A expectativa deve seguir uma lógica parecida: deve-se diminui-la até a terça parte, ou a chance de morrer numa miragem é grande. Da mesma forma, a chance de se perder na distância entre "fora" e "dentro" é grande, muito grande, especialmente se ela importa alguma coisa.
A miragem da garota evaporou, e ainda permaneço num deserto bem esquisito; nessa seção, dos relacionamentos afetivos, tive oásis de quase 4 anos, depois meu luto de mais de um ano; outra leonina, mais alguns meses, e eu rompi nossos laços - perguntaram-me se era louco, e parando pra pensar, devo ser mesmo. Tinha uma pessoa legal, disposta a arriscar um tanto de vida compartilhada. Não tinha motivos para romper, exceto minha auto-degeneração faminta.
Perecerei (?).
Foto de Nancy Spencer

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