Eu nem sei se você passa por aqui pra ler o que escrevo/escrevi; lembro de em 2019, você ter mencionado que tinha visitado esse lugar, e que me achou depressivo - não tenho certeza sobre isso; fato: gosto de tristeza, acho algo belo e necessário de certa forma - mas tem que haver equilíbrio. Não acho que essas correntes ultra-positivas, sobre eliminação "das sombras" e sentimentos "negativos", sejam de fato bons caminhos; é irônico, uma ex minha sempre que dava, me esfregava na cara durante nossas discussões, que era "completa", "inteira", e eu me perguntava "o que caralhos é isso de 'ser inteira' ?!"; pra mim não fazia sentido nenhum, sempre achei que nós somos uma amálgama, e que essa suposta unidade, é uma ilusão da parte consciente; hoje, no entanto, passados 08 anos desde o fim de nossa relação, entendo que "inteiro", não é literal: as pessoas levam algumas palavras muito a sério - nenhuma palavra, por mais precisa que seja, pode cobrir tudo que o termo que ela representa abrange, mas a coisa que mais se aproxima de "ser inteiro" pra mim hoje, é alguém que tem consciência não só de suas características, como de seus lados mais perversos também, e trabalha pra lidar com eles (e um dos caminhos do amor se dá justamente quando um perdoa/acolhe/entende a escuridão do outro. Mas há outros caminhos pro amor, claro). É algo muito, mas muito mais raro ser "completo", do que essa onda de empoderamento feminino (nada contra, pelo contrário; mas esse discurso me parece ser algo que serve mais ao Mercado que às pessoas, propriamente), faz parecer. Acho que minha ex tinha outra coisa em mente, algo mais voltado pr'uma auto-apreciação, mas isso não vem ao caso - fora que não é pecado nenhum se auto-apreciar ou considerar-se de alto valor; bom, dito isso, 'stou escrevendo de madrugada, com uma dor de cabeça terrível, meus olhos dóem (o direito faz dias por sinal), com o peito num misto de saudades e tranqüilidade, otimismo - é uma sensação bem diferente.
... Desde que você se mudou, e não mais te servi café, ou lavei sua louça, ou dormi com você, além de uma dor terrível (que me fez por a cadeira na qual você sentava em outra parte, visto que ficava a ver você sentada nela, com as pernas apoiadas em mim), uma chave virou: é óbvio que minhas relações não foram bem conduzidas - as pessoas dizem que sou "inteligente", embora ache que 'stou sim num tipo de média: há gente muito mais aprimorada que eu, no entanto, no que diz respeito a inteligência emocional pra uma vida a dois, eu parei nos 14/15 anos, uma época que mistura de forma desastrosa inocência com pilantragem. Nessa época, acreditava piamente que um encontro romântico, não necessitava de esforço ou dedicação alguma, que era algo fluido e orgânico como um barco tranqüilo a deriva na orla de uma praia - e aí já temos um problema: praias sem movimento algum são raras, e barco que pouco avança, tem pouca utilidade. O preço que paguei por reter o Luto de minha mãe, foi minha criogenia emocional nesse aspecto, porque no fundo, eu ainda a espero.
... Isso não serve de desculpa pras babaquices que cometi, mas sinceramente: acredito que nós fazemos o melhor com o contexto que temos - e se tem algo que por mais contraditório que soe, nunca fiz, foi buscar vingança afetiva ou tentar propositadamente machucar - machuquei sim, mas por displicência, por ser alguém "fragmentado", entre outros motivos, mas não por maldade ou sadismo; e nesse ponto, quando observo as mulheres se queixando dos homens no pub, me parece que as mulheres gostam muito mais de sangue e vingança que os homens. Triste isso, caso esteja correto.
Sempre achei que as coisas se curam sozinhas, mas basta olhar pra minha própria história, que verifico que não, isso não é verdade. Eu não me curei; minha Amada também creio que não, apesar de achar que não está mais totalmente magoada comigo; eu me iludi, mas por quê? Preguiça? Falta de compreensão? Não sei ainda, mas me enganei por mais de uma década, e nisso machuquei uma, perdi uma oportunidade com outra e finalmente, na pessoa mais especial que me habitou, sei lá o tamanho do que foi feito. Espero que não tenha sido grande. Li sua mensagem pra minha irmã em dezembro; ela me mostrou depois que você foi embora - dias antes de você falar pra mim que ia embora, e eu achando que estava tudo bem; você disse algo sobre não conseguir lidar com a situação, e na noite do dia 31, desejei que esse ano fosse pra nós cheio de esperança e mudança positiva, em nosso amor. O ano não acabou, e de fato, o foi valioso até aqui, apesar de ter pensado vários e vários dias em acabar com minha vida - você até então, era não só minha amante, mas também amiga, companheira; a casa ficou num vazio muito triste sem você, algo quase insuportável. É um silêncio amorfo, surdo, seco, sem sua voz por aqui. O que mais sinto falta é de seu abraço, entre outras coisas e de te Servir: lavar sua louça, estender sua roupa, tomar café, por a mão no seu rosto, ouvir você brincar comigo e com os gatos. Isso dói muito, mesmo agora. Voltei a jogar Magic tem menos de um mês - ao contrário do que dizia, não me preencho só com o jogo, flerte e gatos; claro, devo admitir que 'stou mais forte agora, que 'stou saindo dessa, mas Amada, uma observação: fato que todos nós temos que renascer em vida, e você num certo dia disse que "me admirava como pessoa", "que como homem estraguei tudo", e que "como a Fênix, a gente renasce, só que você se joga logo no fogo, e eu não"; Amada, eu não sou uma Fênix. Eu aprecio seu processo de Renascimento, admiro de verdade, embora pra mim não seja dessa forma, mas essa metáfora não me cabe, e me trouxe um sofrimento excruciante essa fogueira na qual fui submetido. Primeiro, a Fênix é uma figura que na atualidade é ligada ao feminino; verdade que sou um homem com uma "energia feminina" muito predominante, sou complacente, etc, mas isso não me torna uma mulher - esse processo quase me deixou na forca, literalmente - e não é assim que me reconstruo; eu não vou pintar o cabelo e dizer "seguir em frente" ou "amor-próprio", e outros clichês que funcionam com as mulheres, porque novamente, por mais feminino que seja, eu não sou uma mulher, e conseqüentemente, essas pílulas não surtem o mesmo efeito em mim; mesmo em você tenho minhas dúvidas: as últimas fotos que vi, você está deslumbrante, sorriso incrível, mas seus olhos não me parecem felizes. Posso estar enganado, mas é o que me passou durante as stalkeadas; - na verdade, sequer entendi essas pílulas durante o primeiro trimestre desse ano. Pra uma mulher faz muito sentido falar "seguir em frente", porque vocês são criaturas que têm consigo uma noção de ciclo MUITO forte, desde cedo, devido a mãe natureza - ainda mais eu, um desorganizado nato, isso fazia menos sentido ainda; como um homem com inteligência emocional de 15 anos, que acha que o afeto é um barco numa praia tranqüila, pode apreender esse tipo de noção? Na realidade, até agora, entendo isso por inferência; tenho a noção de ciclos, mas tenha certeza que ao menos pra mim (não sei pra outros homens), é algo muito mais esparso. Como boa "criatura da água" como gostava de insinuar às vezes, minha consciência desperta do "afogamento". É outra dinâmica, outra luta. A noção de que algo deve ser alterado, veio dos sonhos - a propósito, sonho contigo quase todo dia; veio da apreciação da dor: imagina a areia machucando a ostra: ela vai envolvendo aquilo com várias camadas (pensamentos, ponderações), até expulsar a pérola - mas nesse processo, repare que ela põe parte de sua própria vitalidade no problema, até criar a esfera que envolve o grão de areia. Ao expulsar ou ser recolhido, é possível averiguar a perfeição ou qualidade da solução realizada. O recolhimento também é outro processo: a concha se fecha. Não sou uma Fênix, eu não queimo. Quando releio trechos de nossas conversas, e você me diz "pare de falar em redenção, perdão e afins", acho isso muito triste - primeiro porque perdoar sem remir, é como prometer e não cumprir, algo que por sinal, você considera condenável, e soa como algum tipo de condenação, seja pra você seja pra mim ou nós; segundo, que me parece que você não consegue transformação sem morte. Posso estar errado. No entanto, eu consigo ensinar isso.
...Eu fui alento pra você na época da perda de seu cachorrinho, e um dos brinquedinhos dele até hoje uso com a Yuna e com a Melinda, algumas de minhas gatas - me parece que apesar d'eu ser uma alma toda torta, não foi só algum tipo de beleza humana que fez você insistir em mim: a morte do Lupy também a empurrou para algum tipo de alento em meus braços; então assim, a morte, sua dor, me usou num certo tipo de apego ou expectativa. Amada, isso foi bonito e necessário; me sinto honrado por quem quer que fosse tenha me posto em seu caminho durante essa fase tão difícil pra você, mas eu não sou um bichinho. Eu não nasci leal, e há explicações pra isso, caso esteja disposta a entender que posso aprender a ser leal também. No entanto, ao contrário da Fênix, não preciso morrer pra transformar: em dado momento, na sua vida, fui associado a serpente, e essa a traição - com efeito, a traí na vida virtual, mas veja: a serpente também é transformação e cura, e também é sapiência. Eu não sou os erros que cometi.
Boa parte de meu desespero, como conversei com algumas pessoas, e talvez tenha chego até você, advém do facto de que meu racional, estava quebrado. Eu sabia que o melhor era se controlar, ficar calmo, aguardar, mas isso era simplesmente impossível naquele momento - e eu acredito, que de forma mais-ou-menos análoga, você não está/esteve menos emocional que eu. O vermelho intenso de seu cabelo naqueles meses finais, pra mim não é apenas estilo ou beleza ou coincidência, visto que fazia meses que você falava dessa pintura pra mim; mas também um indicativo de que, assim como em mim, seu emocional é o que estava/está no comando. Eu lembro dos últimos três dias, você com a voz doce e suave, perguntando se poderia dormir em casa - você acha que eu te negaria isso?! ... A rispidez de quando falou comigo quando deixei o whatsapp desabilitado, e quando falou que estava um tanto "satisfeita com meu sofrimento". ... Quando pediu minha ajuda pra desmontar partes de seu quarto... Aquilo doeu bastante. Mas eu entendo. De verdade, e espero que entenda que meu eu de 15 anos não sabia como cuidar ou o que falar. Repetir na Constelação as palavras pra minha mãe, vindas da boca da condutora, não podem ajudar muito, pois aquelas não eram minhas palavras, entende? Não é dessa forma que se honra ou liberta antepassados - a forma, creio ser você aumentar seu conhecimento pra agir de forma mais ampla que eles, pra superar eles, ao invés de repetir - e aí sim, se você não repete a história deles, se há alguma transformação, então você os honrou, e superou, porque o conhecimento de base pra ação que lhe foi herdado, foi suplantado.
... Num sábado, começo de mês de maio, ia escrever sobre nossa ida ao Templo Zu Lai em 2019; eu adorei aquilo, e queria muito lembrar o que pedi antes de acender o incenso - acho que foi pra que "desse certo com você"; acho que foi algo nesse sentido que pedi, mas realmente não lembro. Mais de dois anos desde aquele dia, e hoje escrevo um texto da forma como você vê, caso leia isso. Amada, até então, sabia que algo muito especial estava acontecendo, mas sou/era alguém distraído, desconectado de mim mesmo, infelizmente. A vida toda foi assim; pra piorar, refletindo nesse tempo, me dei conta de que estava míope pra beleza interior - você é linda por fora, mas o ponto é, que não enxerguei sua beleza interior com a devida atenção; eu a estava vendo "borrada". Num dos sonhos que tive, vi você com algo como 19 anos dentro de uma rocha, e eu nessa faixa dos 15 que mencionei, estava chamando você; quando a rocha se abriu, sei lá como, você estava com uma expressão um tanto abatida, agachada dentro da rocha, que era oca, e lhe dei minha mão. Posso não estar pronto, mas 'stou disposto a você. Daria um de meus olhos por isso, tanto pelo aprendizado, quanto pelo afeto e coisas a serem compartilhadas. Eu entendi.
Eu não sou menor que você, nem você maior que eu - tanto um quanto outro têm suas falhas; você é um pouco controladora, e você inunda a pessoa de uma forma que infelizmente acaba por infantilizar um pouco o outro - não sei se foi sempre assim, e entendo: sua criança interior, uma filha do meio, se esforça, se doa; a coisa mais importante pra você possivelmente é ser reconhecida e valorizada, e sua "rigidez" moral, não advém de algo realmente interno - se assim o fosse, você não andaria com gente tão ou mais libertina que eu; essa importância se deu devido uma diferença de tratamento: tanto o mais velho quanto o mais novo, tiveram provavelmente, pela sua percepção, lugares "especiais". Seja com o ex-parceiro ourives, com o ator ou comigo, sua criança interna buscava e buscou esse lugar, quase que como um propósito, talvez inconsciente. Amada, apesar de minhas falhas, ter sido a última mulher que toquei não é um lugar especial? Isso aqui não o é? Ao lembrar de preces e sonhos de quando era mais novo, verificar e te falar que você é a pessoa que pedi, não é especial o bastante? Meu crime foi tão grave a ponto de que você não possa ponderar isso? ... Eu não sei como era sua relação com o rapaz que veio antes de mim, mas me parece que apesar de artesão, ele é sólido como o ouro e pedras com o qual trabalha; mais de meia-década, foi a paciência sua com ele - eu aqui, pensando todo dia que, se algo me acontece, não conseguirei te telefonar pra dizer como foi/é bom ter você como Companheira, de coração macio - eu não mereço mais UMA chance? É simples, talvez até Inconsciente entender um mecanismo de recompensa; se eu entendesse o seu, provavelmente você ainda seria minha vizinha; eu não entendo muito bem isso, mas agora, entendo o que é cuidado, e o que é se entregar - isso não é tão bom ou na verdade, melhor que o primeiro caso?
Eu peço todos os dias que seu coração seja tocado. Posso não ser o melhor homem do mundo, mas tenho um grande coração, sagacidade e eu aprendo. Posso ser lento, mas eu aprendo.
Ontem sonhei com você, e anteontem. Não 'stou pedindo misericórdia, porque você não é superior a mim; isso aqui não é um favor, é um acordo, uma proposta - eu sou seu aliado, tenho coisas a ensinar e aprender, que não foram feitas, além de muito, muito pra compartilhar - é a diferença entre entrar nessa com expectativas (que normalmente nos fazem decepcionar), e PERSPECTIVAS. Lhe ofereço a perspectiva de dias lindos e aprendizados. Mal vejo a hora de te abraçar, minha Fênix; posso ser algo do mar, mas se lembre que grandes coisas acontecem quando dois reinos se unem, seja na vida ordinária, nas lendas ou na magia, e 'stou aqui propondo isso - para além de palavras, pois tenho um plano de ação (finalmente).
Eu a amo muito A.G. - não se esqueça disso; se engana se como no filme "Viva la Vida", a tratarei como "apenas uma lembrança", para que desapareça quando a esquecer. Não. O nome desse espaço é "imortífero", porque se trata da imortalidade sujeita ao toque; não funciona com tudo, mas eventualmente, algo que meu afeto toque, acredito permanecer para sempre, e você é "O" afeto tocado por meu coração, a "Princesa", moradora do Jardim Castelo - e eu nunca a contei que quando criança, queria construir uma casa que seria uma torre. Não acho que a conhecer foi mera coincidência, temos mitologias que hora se cruzam, hora são paralelas, apesar de minha miopia; um vez tocada, logo, é impossível te esquecer ou matar. Saiba disso.
Sinto sua falta
Ilustração de @shaza.wajjokh

Comentários
Postar um comentário