'stava a refletir, relembrar (pra variar), sobre como conduzi as coisas até aqui - no que diz respeito a projetos, amor, etc, etc; meu pai era músico, cantava uns hinos evangélicos bonitos, compostos por ele mesmo, e tinha uma bela voz, além de tocar bem violão - uma pena ele ser encrenqueiro e instável psicologicamente; teria feito bem pra ele e pra mim se ele parasse a bunda e os miolos numa igreja; eventualmente penso que ele era tão instável e suscetível ao álcool mais por algum tipo de mediunidade (talvez?), do que por ser um tipo louco mesmo. Acho que morrerei sem saber disso, mas lembro dele reclamando de ouvir vozes, ter sonhos estranhos e até premonitórios (como o do acidente de carro que sofremos em 1998, tendo ele sonhado com uma batida de carro meses antes, e sem minha irmã, o que foi análogo ao evento real), e todo o pacote "místico". Claro, poderia ser apenas borderline e algum tipo de sociopatia, visto ele tratar pessimamente as mulheres e ter uma relação bem estranha com sua religião - a idéia não é "passar pano", é mais pensar sobre porque infernos as coisas foram do jeito que foram.

... Voltando, minha mãe cantava; era mais uma entusiasta, gostava muito de cantar, mas não era exatamente afinada...; minha irmã violinista, deu aula durante algum tempo, antes de acabar abandonando o instrumento, devido os altos e baixos da vida; os dois melhores amigos que tive na vida são bateristas, e o mesmo pra (Ela); minha ex, a primeira "a sério", conheci fazendo aulas de canto em 2009 - e por ironia, parei de cantar após estabelecermos nossa relação. Acho que foi um dos meus grandes erros.

   Assim como muita gente, por mais "inteligente" que me acusam de ser, nunca tive um plano geral, uma passo-a-passo de como conduzir as coisas após a página dois ou três; tudo sempre foi de improviso ou empurrado - apenas a poucos meses, tive o insight de que o melhor pra mim, seria transferir pra execução de minha vida o mesmo tipo de entrega que tenho no trabalho. Jamais pensei nisso, e muitos dizem que trabalho bem, mas sempre tratei essa face fora do expediente, como um tipo de repouso ou entretenimento. Até aqui, perdi muito, mas muito mais do que ganhei com essa postura. Gostaria de ter 16 novamente, ou ao menos, que voltasse pra 2019, pra reescrever meu destino, só que dessa vez, certinho, sem o monte de improviso e lixo que fiz. Isso seria um baita presente. Teria organizado melhor minha vida amorosa, cuidado melhor do presente que estava ao meu lado; guardado dinheiro direito, pago pessoas que devo, investido em algum curso que pudesse me dar um substrato mais sólido, como estudar direito um idioma, etc, etc. É foda ficar reclamando, mas o período 2019 até aqui, e até antes na verdade, me parece que foi uma grande oportunidade que joguei quase que no lixo, e agora o peso de pensar sobre isso eventualmente me rouba noites de sono. Agora são 08:08, e sinto nada de sono; ontem dormi a tarde toda, coisa que fazia algum tempo que não acontecia, ainda mais agora com minhas tentativas de fazer pelo menos um pouco de exercício físico - eu sempre lembro de meus sonhos, mas o de ontem, só ficou uma imagem, que nem tenho certeza se foi sonho ou delírio. É um sentimento confuso: tenho um grau de auto-apreciação, pois em minha cabeça, é como se eu fosse um daqueles personagens de Dragon Ball que tem um potencial imenso não explorado ou esquecido (como o Gohan, que hoje em dia na série não passa de um bosta, mas que tem um potencial fora do comum mesmo assim), por outro, não sei como nomear esse sentimento, mas é como se às vezes, quisesse pegar a mim mesmo, minha vida e fazer uma bolinha de papel e jogar no lixo - ...é D., talvez você tenha razão e eu vá morrer sozinho. Ultimamente tenho travado uma luta interna entre uma transformação positiva necessária e essa profecia; ultimamente tenho tido dias muito bons, mas isso me deixa exausto de quando em quando.

   Mas voltando ao meu pai, música e afins, coisa estranha é a fala de que quanto mais se foge de seu Destino, é aí que ele te encontra: eu tinha horror ao tipo de homem que meu pai era - instável como pessoa, nada a longo prazo, nem mesmo nossas casas e seus empregos pareciam funcionar: tudo acontecia sem um aviso prévio de fato, tudo quase que no "susto", como uma tempestade de verão; marido ruim, mulherengo, místico... E puta que pariu, quis tanto ser diferente, que agora com 33, me vi agindo de forma extremamente parecida, e igual até. Tanto quis ser diferente, que fui igual; se eu não resolver isso, é umas das coisas que me levará embora; é de derreter a cabeça. Quanto a profecia de minha ex, quis fugir também, e bom... Não entrarei em detalhes, mas por hora deve estar uns 3x1 pra ela; a A. também fez uma profecia, tinha muito medo dela, e bem, cá 'stou, exatamente na merda que ela disse que estaria. Quando estudava violoncelo, um amigo disse que eu não seria músico - o único instrumento que tinha um bom domínio, esmoreceu e deixei ele pegando poeira já tem mais de 10 anos: eu cantava, mas nunca cantei algo a sério pra A., ela nunca me ouviu cantando. Num último diálogo ela me disse que "nem tudo é do jeito que eu quero" - é óbvio que tudo que 'stou vivendo é responsabilidade minha: poderia ter me dedicado a algum instrumento; quando a D. e eu brigamos porque ia fazer um teste pra ser vocal numa banda, poderia ter dito que apesar do amor que tinha, aquilo era importante pra mim - me vi e tratei como palco e não como artista, dentro de minha própria vida, e agora colho os malditos frutos - mas acho que nada até aqui foi do jeito que quis; seria legal se ao menos uma vez fosse, ou se precisasse derramar um pouco menos de suor pra isso. 

... Mas ok, tem tempo, tem tempo...

   Lembro que numa das revoltas, meu pai pegou a pasta com os hinos compostos por ele, e rasgou, e jogou no lixo com raiva. Isso foi em '99, se não me engano - minha mãe não era algo dessa Terra... Ela após algum tempo, foi calmamente até o lixo (meu pai saiu na rua, era noite e foi vagar. Era meio recorrente isso); pegou as folhas e as consertou com fita adesiva; coisa de dois meses depois, meu pai parecia meio arrependido, e ela entregou a pasta com os hinos remendados. Ele pareceu feliz.

   Eu fui inconstante com a viola, com a música, com o teclado, com a voz, com a escrita, com as finanças pessoais, com meus sonhos, com a graduação, com a fotografia, com a A.; queria muito que um anjo chegasse pra mim e desse numa pasta essas coisas remendadas com fita adesiva - depois passaria tudo a limpo, sem problemas; já assimilei a porra da matéria - e acho que isso é a única coisa que queria repetir de meu pai, e pior, tive a chance: ter como parceira uma pessoa singular assim.

... Mas vamos lá, por um pouco de ânimo... Não tive banda aos 16, mas ainda posso trilhar esse caminho - 'stou num meio que favorece isso inclusive; tenho tido tempo pra dedicar ao estudo, e dizem que para amores impossíveis há tempo. Todo esse tempo querendo não ser como meu pai, mas deveria ter pensado mais em minha mãe. Se eu sair dessa sendo 20% do que ela foi ou ter 1/10 de sua fé, já serei vitorioso. Eu queria que ela estivesse aqui pra me ajudar com isso.

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