Normalmente minhas palavras podem ser lidas como um tipo de "queixa" - é claro que eu discordo, não considero que seja algo bem nessa linha, mas entendo e respeito quem acha que é um lamentar, e de certa forma, posso dizer que meus pensamentos têm lamento, mas não somente isso: eles são maiores que isso, se me for permitido soar um pouco arrogante talvez. Mas, hoje, ao contrário de toda tristeza do ano passado (2021), e da alegria desconhecida, mas não celebrada, do meu maravilhoso 2019 e sua seqüência, '020 (acho que eu era um cara muito ingrato e cego, não à toa a angústia não sai do meu pé, rs. Esses dois nivers foram muito gostosos - caso a pessoa que gostaria que estivesse lendo isso, leia de fato: obrigado minha querida. Curti pra caralho), gostaria de agradecer. Sem enrolação agora, meu resumo:


   Tive um grande ser humano como mãe, sua sabedoria, coração... pena ter sido tão pouco tempo juntos; meu corpo não falta em habilidades e membros, enxergo melhor que meus pais, meu olfato é bom, minha audição atenta, e graças a isso, quando acordo, consigo prestar bastante atenção no canto que a revoada de pássaros faz; minha irmã, um braço direito que poucas vezes fui para ela; moro num lugar cheio de verde, num equilíbrio muito bom entre o concreto e esse, e não se compara com as selvas de pedra nas quais morei. Morar na região na qual moro, com tanto verde, é um baita de um alento pra mim, e agradeço por isso. Minha casa é simples, mas me protege, tenho sete gatos lindos, um trabalho, um hobby que amo e um bom coração, além de bons olhos e sonhos. Até esse ponto de minha vida, cinco pessoas maravilhosas tentaram compartilhar seus dias comigo, e mesmo não estando com nenhuma delas, fui muito abençoado nesse aspecto: todas são pessoas lindas por dentro, e realmente sou agradecido por cada dia e história escrita a quatro mãos, especialmente com a última.







   Fazem 34 anos, que sob uma lua minguante, quarta-feira, madrugada, minha mãe esteve contente. Até aqui não me tornei pastor ou médico, como queriam ou sugeriram meus pais: ainda sou um homem de pouca fé, logo, nesse momento não posso ser pastor, e meu coração é muito macio e eu sou demasiado complacente para ser um médico, mas tenho tentado me achar. Como será meu próximo dia? Se minha história for como um livro, no final estarei com a pessoa que gosto? Serei um herói ou um fracassado honesto? Drama, Comédia, Aventura? Qual seria o gênero?









  Sinto que minha história começou antes de '88: nas brigas de minha mãe com meus avós, o que a trouxe até São Paulo; na autoestima elevada de meu jovem pai, que se achava o Don Juan, se gabando de ter tido dezessete namoradas; na presença sempre muito forte do cristianismo, em ambas famílias, materna e paterna, o que matizou de cores culpadas o plano de fundo de minha mente.

   Não 'stou feliz, na verdade é algo melhor que isso, e misturado com saudades, melancolia e calor esperançoso - e nem acredito muito mais nesse conceito/sentimento, cada ano essa crença se erodindo um pouco, como uma velha estátua numa pracinha, mas ainda sim, sou agradecido, e de meus olhos brotam um sentimento brilhante:

   As histórias, as pessoas, as trajetórias, as sensações... Isso aqui é muito pouco, de certa forma - sou alguém, apesar das palavras que uso, relativamente simples. Meu prazer é quando deitado, estar rodeado e abraçado com meus gatos, mexer nas minhas cartas de Magic, olhar fotos, lembrar... fico contente com pouca coisa, desde que seja de coração ou que contenha alguma história. Mas até aqui essa história que vivo, tem uns trechos muito bonitos. As pessoas que mais queria não estão aqui, mas a elas e as demais, obrigado por terem feito parte disso até aqui. Não é muito, mas é minha história, e ela é valiosa, ainda que talvez, um tanto pequena.


Com afeto.











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