As vezes sinto dentro de mim, certo ímpeto ou antes, estado de espírito infantil - com efeito, durante e cerca de dois meses após a última despedida que tive, minha companheira afirmou que as palavras que emitia (ou antes meu choramingo), eram algo de criança. Não discordo disso. Na tentiva de entender e catalogar o que sinto, por vezes me vêm uma sombra, algo esparso, mas contínuo como uma neblina; algo que é um sentimento de volta a infância, mas a parte mais desolada dessa, como se esperasse algo embaixo da tempestade; a chuva me encharca, meus pés parecem afundados numa lagoa e meus olhos se misturam com a própria chuva: na expectativa de que quando isso acabe, talvez haja uma carta com uma resposta a meu pedido, ou a sacola do mercado vindo com algo que queria muito. É, eu não sou mais a porra de uma criança; gostaria de me tornar gelo e não sentir isso. Mas o foda é que isso se mistura: com angústia, e então meu tórax começa a doer; as vezes a dor se alastra e sinto os dentes do fundo doer, e isso se espalha até o olho direito e ouvido.
Dias e sensações, entremeados de angústia e uma overdose do Nada.
Comentários
Postar um comentário