XVIII/XXVI

 


   Comum é, esquecer da terra muito antiga na qual se pisou, e dos sonhos antigos, das dores antigas; quem era você aos 05, 08, 13 anos?; Eu sonhava muita coisa, pensava muita coisa, acho que nem mesmo o desejo de minha mãe, 'stava formado, acerca do que seria minha Vida em seu imaginário; eu quis ser músico, me imaginava tocando rock instrumental dos anos 50' e 60', anseava ser Pesquisador, Astrônomo, Clínico Geral e mais uma miríade de coisas. Demorei a focar, e pensar, trabalhar em algo específico, ainda hoje isso me é uma tarefa complicada, achar Um Caminho, fazer Uma coisa, a exceção do sono, estado esse para o qual sempre 'stou pronto pra mergulhar e me afogar nele; normalmente penso em várias rotas, histórias, possibilidades e lugares, e de minha parte, perdi muito sendo assim; se da chácara os 04 anos, tivesse levado na alma uma luz, ou memória-guia como Herança, algo mais simples e braçal, apenas cuidar de animais e plantas, talvez tudo seria diferente hoje, e teria um lugar para voltar, uma casa arquetípica, e não uma pessoa e uma meia-dúzia de remorsos na mala.


   Se tivesse puxado a meu pai, e me pusesse a desenhar, ser um ilustrador ou designer, o pequeno riacho entre minha casa e a casa de ferramentas, os patos, galinhas e coelhos, o verde que precede o limiar dos cumes, esses desenhos seriam meu retorno para casa, farol, pista e mapa, e pisando na terra é que reencontraria minhas forças.


... Hoje, sem Herança ou lugar para voltar, os Desejos vagam, a alma vaga e peregrina, tentando reencontrar lugares e pessoas e animais, maioria mortos ou mortos para mim; pensando para reescrever as rotas falhas, corrigir uma vida de esquecimentos, negligência e pecado, uma vida de punição e expiação de certa forma, ou algo que se assemelha a uma não-vida, pretensa anti-vida; Peregrina Sublime, talvez encontre, talvez encontre..., conto com isso.

Comentários

Postagens mais visitadas