Mãos
Por quê ainda dói tanto? Por quê ainda acordo às vezes, com uma dor fudida no peito e seu nome sendo pronunciado, como saliva saindo das glândulas?
Lembro da estrada; sinuosa e de luzes refletidas brilhantes devido a chuva. Suas mãos comprimiram as minhas, pulsavam devagar, como um coração de gigante - toda sua expectativa, proteção, naqueles apertos. Não quis admitir que achei bonito: meu tom de voz foi o oposto da água: seco. Mas eu lembro da água, da estrada, das mãos. Nunca consegui esquecer.
Será que sou, ou mesmo era, tão problemático, a ponto de ser considerado um "livramento"? Será que ainda sou tão desajustado, como era em sua época? ... a vida empurra pra que vá-se "viver", com seus acasos, encontros e desencontros, mas desde você, não saio sem "concha". Por hora, 'stou mais "mole", vulnerável. Não tenho a mesma força do ano subseqüente de sua partida, nem a mesma capacidade de concentração; alguns céus, mudaram, e pra pior. Mas seu aperto, uniu partes separadas, presumo eu; talvez esse aperto, seja da cola e pressão que fez em mim, ao tentar aglutinar partes. Uma oleira, tentando moldar argila.
Não 'stou voltando de nenhuma estada de fim de ano, nem somos mais companheiros; temos mais de mil dias de distância, fora ameaças recebidas. Mas mesmo depois de todo esse tempo e eventos, eu ainda sinto as suas mãos. Talvez sejam elas que apertem meu peito nalgumas manhãs.
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