XXIV/XXVI

 


   Fogo frio, escolhas erradas, veneno, colheita; penso em como acabar com os parasitas da mente, daqueles que infestam a mim, depois a colegas, amigos e assim sucessivamente; eles rastejam dentro, comem minha comida, atrapalham meus pensamentos, concentração, realização - a indiferença se espalha como uma praga, fogo falso e frio, acesso ao acaso, mas nada faz: sua baixa tolerância, rouba empatia e calor; o "apoio" em certa prosmicuidade, a preguiça, a acomodação, a colheita da Vida exaurida de suas páginas, sangue e falhas. Eu não queria ter pouco a oferecer, mas o jardim além de pequeno, encontra-se com focos de pequenos incêndios - um fogo falso e frio, quase fantasmagórico, como lembranças distorcidas e pálidas, se alastra pelo campo da Vida; de longe, parece um monte de fadas, como se a Sininho de Peter Pan ou Navi do Link, tivessem trazido suas espécies para conviver aqui, mas infelizmente não se trata disso.

   

   Era uma Vida razoavelmente comum, até esse parasitismo tomar conta da seara; como relatado acima, parecia a princípio algo mágico de longe, aquele monte de luz povoando o campo - mas ao chegar perto, não tinha nada de mágico, aliás, tinha, mas era anormal: essas "bolas de fogo" que não aqueciam, e pior, furtavam pra si o calor dos seres vivos que se aproximavam.


   Fiquei doente; fogo contra fogo, pensei: essa aberração não aquece - um incêndio pra curar: "é melhor tirar o braço e entrar no Reino dos Céus, do que ter-lho e esse o fizer íntegro no Inferno", certo? Queimar a floresta, a colheita inteira ao ter que suster um parasita. E assim foi. Muita coisa vivia lá: árvores, pensamentos, coelhos - tentei tirar tudo que dava o quanto antes e no tempo que considerei correto, ateei a primeira, segunda, vigésima chama. O contraste com o calor verdadeiro era evidente. As labaredas arderam, o crepitar era alto; tudo se tornou um deserto depois. Pedras, terra preta e um céu indolente como fundo.


   Mas não acabou. Passei dias sentindo frio após aquilo; precisava estar em frente a lareira o tempo todo. Tremores, o inverno 'stava dentro de mim, uma Vida enregelada, sem calor e um tanto estática.


   O frio, o gelo, 'stavam em minhas entranhas, nos pulmões e nas veias - e agora, transporto um incêndio pra dentro de mim? ... ele se vingou do que fiz a ele, do calor selvagem e convenhamos, certa maldade - deve ser péssimo morrer pelo fogo, e se escondeu dentro de mim. Não consigo considerar uma vingança melhor. Agora ele arde e se alimenta de cada fagulha que tenta me aquecer. 'stou um tanto inerte, esperando que meu calor cesse pra que esse parasita vá embora ou tome logo minha última porção de calor e me mate logo.

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