Kraken



Ele desliza nas profundezas, empurrado pelas correntes marinhas, sob todo o peso da água; não chega a viver tão fundo quanto o Leviatã, embora alguns confundam-no com este, mas seu porte é similar, e encontra-se igualmente adormecido.

Vez ou outra um tentáculo se deixa conduzir displicentemente, e a extremidade desse surge na face do oceano com a imagem e semelhança de um rochedo enorme, um ilha, um recife de corais, um atol.

Mesmo quando tudo está calmo e os albatrozes traçam seus voos acima da superfície, ele está lá, solitário e dormente, um Enoque congelado em sua grandeza, mas no lado ao oposto dos céus. Globos oculares monolíticos, cerrados numa cartilagem dura como o desprezo.

Moby Dick, pesadelo de homens, tem seus sonhos intranquilos repousados debaixo de suas ventosas, e quando despertar, ninguém terá paz em seu horizonte. No abissal, sonha em esmagar as regras, a ordem, as normas e saciar uma fome insensata, estrangulando coisas pequenas em seus tentáculos.

O comandante da colônia penal aguarda para emergir junto com ele, soerguido em sua testa como um rei ancião numa montaria, pronto a condenar tudo; Posêidon não o menciona em suas tarefas burocráticas e diplomáticas; ele não conhece o suicídio, mas o provoca: seus braços são tentáculos de horror.

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