"The Longest Year"

(Brevidade Perene)



"In the nights of old I've always wished
In the longest year that had me down
And I would freeze if you ever asked me
That was my own way
Confront the guilt and try to overcome
Do not go away
I'm not there yet
I can see fire
But I fall behind" (1)


Meu ano mais longo ainda não acabou, e na verdade ele não é o mais longo, mas é um ano, um período que apesar de não concluído, já sinto falta. Falta, palavra que ali, entre as coisas não ditas, sempre esteve presente: já sinto certa falta das pessoas, ainda que mantenha alguma distância delas - sob o contato fácil, o sorriso fácil e o tomar conhecimento de pessoas de diversas salas e cursos, há uma distância da intimidade e do dia a dia bem considerável. Ninguém tem meu "whats", até porque não tenho; poucos tem meu número; conto nos dedos de uma mão os que vejo com mais frequência fora da ETEC, e somente uma me visitou. Ainda sim, adoro o lugar, como o anônimo de Noites Brancas de Dostoiévsky, se apaixona por Nástienka e cria laços (ainda que "metarreais"), com outros, com terceiros.

Na ETEC, que foi um presídio, peguei um pouco daquela agonia, já esvanecente de um 2013, da minha própria prisão, que...Não sei... Bem, não tenho ainda as palavras para definir 2013, mas aquele sentimento estático começou a deslizar como um iceberg: o gelo foi derretendo sob a coluna fria dos dias, o ano foi indo pra frente, e hoje ele está meio que "atracado" na orla de meu espírito. Há épocas que não passam de fato, há pessoas que não passam - certo dia, apertava minhas mãos contra um corpo esguio, que foi ficando cada vez menos material, e hoje, ele sumiu, mas ainda sinto sua presença, além da presença de muitos outros corpos. Suponho que os períodos marcantes não passaram, eles foram se "fantasmagorizando", diante m'olhos, e hoje tateio um vazio que foi cheio um dia. Meu curso, meu período de estudo, passa por um processo similar, se não o mesmo.

Cada dia apreciando a paisagem da janela de um ônibus ou metrô, as vezes fazendo companhia para uma linda garota, outras vezes, com amigos, noutras apenas com um "dos corvos de Odin", sussurrando memórias frescas em meu ouvido; os beijos no rosto de meus colegas, os apertos de mãos, os professores, os amigos: a ETEC vai entrando num processo de "fantasmagoria", e minha vontade é aproveitar a desmaterialização, e atravessar seu peito, para reter seu coração em minhas mãos, para que tudo isso seja mais que um breve pensamento, para que jamais essa época seja apenas uma memória.

A propósito da chuva caída, sinto um certo regozijo em ser tão breve. Acho que nada deve ser mais que um pensamento, por mais cálido ou doloroso ou alegre que seja; eu mesmo, devo estar desaparecendo, para uma escuridão que guarda todas as poesias já proferidas e todas as memórias gastas.




PS: Trecho da música "The Longest Year" do grupo sueco Katatonia

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