Bem, estou vivo não? Se alguém dissesse num diálogo "hey, tu está vivo", uma provável resposta seria "ãh?", e logo pensaria que é uma afirmação estranha. Talvez não seja - igualmente estranha é essa constatação, não a do diálogo e a impresão de que o companheiro de conversa é meio maluco, mas a de que sabe-se lá o porquê, você está inserido nesse estado. O estado "vivente". Em qual momento ele foi escolhido ou dado ou de que forma está-se relacionado com ele?

Isso parece mais com um labirinto, com uma pergunta ou observação fazendo as vezes de paredes angulosas que darão acesso a algum beco, rua sem fim ou caminho intricado, pergunta após pergunta e nenhum novelo de lã, num fechar e abrir contínuo de caminhos curtos, interrompidos por outras questões, sem que as primárias tenham sido resolvidas.

"Vivo". Como assim? Não entendi ainda; pelo que já observei, é um estado simples de ser desmanchado, como o gelo no sol que deixa de ser gelo: por outrem, por si, por ambos, mas é certo que não é possível ficar vivo sempre, e penso, "ok, e depois?" - o corpo se degrada, a mente se degrada; um fede o outro é como se jamais tivesse existido. Alguns talvez nem pensem nisso ou percam horas de sono com o tema. "E depois?" Nenhuma resposta. Forçar a mente pra supostos estágios anteriores adianta pouco: qualquer ideia, imagem, lembrança acessada, não comprova coisa alguma, além do fato de que se conversar com outras pessoas sobre isso, receberá o título honorário de "viajado"/"brisado", "louco", "criança"...

... Como o aquário que prende o peixinho, a vida prende o... bem, seja lá o que for, está preso. Muitos se empanturram e falecem, se empaturram de todo tipo de coisa, de jogos, dinheiro, status, auto afirmação ou comida mesmo; tento comer pouco, mas não sei - posso estar usando a postura errada, vendo as coisas por um viés que é aberrante como a miopia é para a visão.

Uma luz que se apaga, se propaga (desde que não haja algumas barreiras), para limites que estão além do que se pode densificar no pensamento; daqui vejo luzes de milhões de anos, num momento em que estava tão esquecido como em qualquer outro momento. Um pulso de vida viaja até onde?


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