24/11/2015
Hoje lamento por um desaparecimento, uma extinção - nada que atinja muitas pessoas, aos olhos do Governo - para alguns algo insignificante, para outros muito chato: frequentei em períodos extremamente significativos de minha vida, a Oficina Cultural Luiz Gonzaga, que ficava na zona leste, no bairro de São Miguel. Lá havia cursos na área de música, artes, dança, literatura, circo, teatro, enfim... A zona leste, mais uma vez, fica mais pobre no quesito oferta de cultura, e principalmente São Miguel, que agora perde essa alternativa.
Olhando de "fora", como alguém que apenas folheia um jornal, é só mais um evento, um lugar que fecha, encerra suas atividades numa região que não tem como foco ou atrativo a cultura/educação; mas para mim foi uma grande perda, algo doloroso. É péssimo saber que algo que estimamos não funciona mais, mesmo estando distante desse algo. É como saber que um amigo que marcou minha infância faleceu.
Frequentei quase todas oficinas da capital, em especial essa de São Miguel e a de Itaquera; falando da de São Miguel, na qual fiz minha primeira oficina em 2004, lá conheci grandes amigos, os quais me são muito importantes até hoje; me apaixonei algumas vezes; fiz quadros, cantei, dancei; tive dias nos quais estava triste, mas ao mesmo tempo, indo até lá, fazendo clown, conhecendo pessoas - sentia o aroma de uma alegria branda e calma e marcante. Estava vivendo uma boa época e o diferencial é que estava ciente disso; lá conheci uma das pessoas mais importantes de toda minha vida, que me marcou durante uma das oficinas e no ano seguinte nos marcamos novamente. A oficina teve pra mim um papel similar ao de uma igreja para um cristão, e os cursos eram cultos: momentos para refletir, se achar.
Ao Sacha, coordenador de lá, ao Luiz, a todos, sou grato por tudo que me foi proporcionado; Marcos, Lu, Daniel, Jô, Dayane... Muita gente que fez a diferença e me habita, tive a honra de conhecer nesse espaço de culto; perco as palavras certas para dizer o que sinto, além de vazio e uma dor abafada.
Dentre o melhor que já fiz, fosse como testemunha disfarçada de aluno, fosse como aluno de fato, rs, está ter frequentado e feito parte, ainda que bem pouco disso.
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