Novembre

 

Penso il passato tornerà solo un giorno
Per portar via questa notte anomala
Quando domani tornerai
In altra vastità latente
Penso il passato tornerà anche solo un giorno
Lacrime azzurre asciugherà
Quando domani tornerai
Sostanza
 e verità



 Por aqui, e em todo hemisfério sul, Novembro é a passagem da primavera para o verão - eu não tenho a memória desse mês com dias tão quentes como nesse ano de 2023, mas há alguns pontos de lembrança: Finados é sempre nublado na minha memória, por exemplo; quando se fala de calor, associo ao período dezembro até fevereiro, um calor ardido, com Sol amarelo e quente como ferro de passar roupa, embora dezembro tenha chuvas, tempestades - natal é outro dia, que sempre é nublado e/ou se tem algum Sol, chove no mesmo dia. 25/01, a quase três anos atrás, fazia um sol muito bonito, o céu 'stava claro, e as nuvens só vieram dias depois. Uma vez li em algum canto, que "amores de verão", são intensos, mas fugazes; bom, não me acho intenso, e dia desses ouvi que sou "frio", mais uma vez. Será que ao longo da vida ouvi isso porque não tenho o hábito de ficar falando durante o sexo? Ou será que sou "frio" mesmo?; talvez, 'steja na polaridade oposta ao hemisfério no qual moro, e nessa época, 'stou me movendo para o Inverno ao invés do verão. E quando lá aquece, migro pra cá. Enquanto a vida derrete à beira d'um calor escaldante, naturalmente o pensamento vaga para uma época com temperatura mais amena, e no inverno, ao gelar os ossos contra a ventania e céu fechado, lembra-se dos tempos de Sol e calor, com a claridade alaranjada como nesgas entre as sombras que se projetam nas superfícies de água; ele se põe quente, a noite clara e limpa com céu azul escuro, e ninguém lembra do frio. Mas eu lembro. Lembro como se fosse um segredo. Eu lembro de passear com meu gato numa noite fria, e ao abrir a porta de casa, braços quentes, corpo quente, emoções quentes, contrastavam com o ar frio, porém aceitável. Uma noção que atravessou distâncias, braços e alma cansados como um corpo que muito remou, um sonho d'um velho bote, carregando uma criança do crepúsculo, deseja sonhar novamente, sonhos de azul. Uma memória estóica, como foto de azul infinito, praça de nostalgia.

... Muito do Novembre, remete a sonhos, e há algo nostálgico, talvez advindo da nacionalidade italiana; não tenho apreciação pelo país, menos ainda pelo idioma, mas, parando pra pensar, o italiano, língua dos integrantes do Novembre, me soa uma língua com muito de nostalgia entranhada em sua poética e subtexto. Mas posso estar a me enganar. Um dos grupos mais importantes em minha formação musical, seja pelos corais, teclados, guitarras de 7 cordas, poesia. À época na qual sempre referencio por aqui desde algum tempo, não tenho memória de ouvir com constância a banda - passeava com meu gato ouvindo October Tide; conheci ela ouvindo Swallow the Sun e Leviathan, vez ou outra Ava Inferi, Trees of Eternity e Behemoth. Novembre não 'steve na Soundtrack daqueles anos, o que é uma pena. Hoje, como indo de acordo com o mês, 'stou a revisitar eles e o Novembers Doom. Mês que vem, haverá outros com a confluência mês x nome. Lembranças, calor, uma banda Doom. Amor, saudade, apreensão. Repassando as obras, e como elas dialogam com a nostalgia e sonho, não deixo de pensar em como os dias poderiam ter sido diferentes. Como uma foto que nós em nossa geração matizam de tons sépia; como uma foto que meus bisavós provavelmente pintariam para que os dias fossem mais coloridos do que o material daria a entender: a insatisfação do presente, sempre derrotado por uma saudade, afogando-se em oceanos de afternoons.

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