Coração Congelado

 





"They might say this never happened
I'd say it just did
Never have I felt it stronger
Someone's wrong and I am right

In a world of disillusion
Loitering away your time
There's no harm in reconstruction
Paint the world in black and white 

Beyond redemption won't exist
Redeploy your mind
Find your strength and recuperate
Reflections in an open mind
Nestling fly with me
Find a way to see… 

They might say this never happened
I'd say it just did
Never have I felt it stronger
Someone's wrong and I am right"


*****


   Hoje o que houve foi um sonho ou uma memória? Eu a vi saindo emburrada, com raiva quase de revolta, vai e quase bate a porta com violência, como costumava fazer quando estava num certo limite ou indignação; eu parei entre você e a saída, era de manhã e estava nublado. Sempre lembro de você quando está nublado, ou um sol próximo ao fim de tarde, ou numa brisa fria outonal.


"Hey, calma. Não vá"

("Sai da minha frente")

"Espere. Não é assim que se resolvem as coisas"


   Outra tentativa de passar, como se eu não estivesse ali. Talvez estivesse cogitando usar violência para sair.


"Olha, eu entendo"; e então abraço; "me fale assim do que a incomoda. Não posso garantir que não farei coisas ruins, mas posso te garantir que irei fazer o possível com o nível de consciência que tenho"; eu a aperto mais forte.

(Não foi isso que aconteceu, infelizmente)



Vínculo e água

O clima nublado e esse Sol Belo e frágil da tarde, sempre me lembram você

O passado come suas repercussões

Seu abraço é cálido como um dia de verão 

Que venha! Tormento, desilusão, tempestade



Eu amo a textura macia de seus braços envoltos em meus ombros, tom de voz terno e um tanto infantil, mas doce, como uma garota desamparada, nariz encostado em meu rosto, seus trejeitos, o som de seus passos descendo a escadaria pela manhã, o tom de voz de suas broncas e de seus pedidos. Memória futura, acaso sublimado.


"Lucas, vou embora" - um dia de janeiro


Passo a passo, dia a dia, cada respiração, e a memória dos dias mal-vividos, do enlace em sua cintura - as tentativas nos últimos meses de parar de ver vídeos ao dormir, e tentar desligar o celular, e prestar atenção em você; isso foi tarde, a milhares de milhas atrás, centenas de luas atrás; a corda da fôrca, agora é um suave tracejado, como um jogo de ligar pontos; um suave desenho constelar, uma pequena mitologia.


Minha coluna dói e sinto como se estivesse assistindo minha própria vida do alto de meus 70 anos; é um filme que passo e repasso e edito, escureço, amplio e alumio.


Várias são as coisas que necessitam esfriar para estarem prontas, outras, jamais se aquecem; retiro meu coração em brasas da fornalha dos pensamentos e batendo ele contra uma bigorna, as faíscas saem e dão lugar às formas que tanto demoraram para se definir - bane-se o fogo dessa peça, para que esfrie e fique pronta, como uma Kaaba que veio dos Céus, e hoje peregrinam ao redor; cada fagulha uma falha, a quentura a deixar-me mole e frágil, marcável - soprem as memórias de seus lábios atrevidos e macios, de sua discrição, das piadas bobas, da habilidade com a música, da dança tão bela feita com vestes negras num dia de abril, dos pesos para treinar, da Delirium, sua contraparte, da areia de Sandman que me impregna semana a semana, vestindo ou não a camiseta que me deu, os sonhos misturados com lembranças; frio é necessário para ficar pronto, frio é necessário até que meu coração esteja congelado, sua distância é a nevasca, meu erro é meu coração.

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