Hoje, exatamente como quatro anos atrás, tudo está horrível. A quatro anos atrás, pelo menos fez um sol bonito no fim de tarde, e havia esperança e parceiros de Magic. A gatinha branca que não era dócil, ao menos ficou, e ela se deita a minha frente, protegendo o pouco de coração que me resta. Eu pago por minhas falhas todo maldito dia. Todo dia eu respiro fundo, e penso nos mais diversos erros que cometi. Isso não me torna um Homem?

... com certeza, continuarei errando, essa é uma das várias condições humanas, infelizmente, e não raro, conserta-se um erro com outro. Tive a oportunidade de trabalhar podendo observar o comportamento das pessoas num de seus momentos vulneráveis: quando estão se divertindo, tristes, alegres, ou querendo esquecer coisas, ou se dopar. Quando um elo se rompeu a primeira vez, anos atrás, não fui beber ou tentar esquecer: sentei na poltrona do shopping, o Sol bonito tomando conta da vidraça e um vazio enorme no peito. Eu paralisei. Quantas vezes isso não me aconteceu? ... claro, nada adianta o Sol me aquecer, e eu continuar a ser um cretino, como continuei sendo por muito tempo. Mas atualmente, acredito que já paguei por meus erros. Sabe grama seca, que você acaba pisando, mas ela resiste porque tem algo oculto e forte no solo, apesar de sua visível fraqueza? Bom, meu coração está assim. Fraco, obcecado, triste, esperançoso, fraco. Há erros que não quero cometer; isso não me torna um Homem? Como disse, ao contrário de pessoas que observei, a memória de minhas falhas feliz ou infelizmente, me acompanha (ou antes persegue), por anos a fio.

   Sempre que 'stou cheio de angústia, é aqui que manisfesto um pouco do peso. Se você é um caixeiro-viajante, ou um mochileiro, tem que parar no meio do caminho às vezes, pra que você consiga levar o peso até onde é necessário levar. Aqui é onde páro e tiro um pouco do peso; já te aconteceu de carregar tanto peso que os pulmões ardem?; pois bem, esse aqui é meu reino, meu pensar; sem nomes, sem rostos. É meu exercício de auto-escrita. Infelizmente, sou uma pessoa que prescinde entender as coisas - há quem viva bem sem isso, que leva a vida sem querer entender as coisas, mas esse não é meu caso. Nunca foi. Isso é o melhor que consigo fazer, entende? Seria muito bom ser alguém mais leve, sem uma "culpa católica", mas eu não sou assim. Isso é o melhor que consigo fazer, entende? Lamento se isso machuca, mas, sem falsa retórica: por quê isso incomoda? Sempre uso sujeito oculto, oblíquo, figuras de linguagem. Se algo que escrevo toca em algo relevante, incomoda, mesmo tendo todo cuidado com a linguagem, isso não diz respeito a mim, diz respeito ao leitor, e suas próprias fantasias, funcionamento, etc. Se eu choro vendo um filme, a culpa é do diretor? Minha tese é que não: você chora vendo um filme, porque alguma cena lhe diz algo; isso não é sobre o diretor, é sobre o espectador, entende?

   Não posso ficar sem escrever. Atualmente  eu só tenho isso. Além do mais, percebi que dois anos de comportamento, geram cinco de conseqüências: eu comecei a parar de escrever seis anos atrás. Quem me conhece pode afirmar que após isso, fui ficando mais descolado e divertido, mas logo após, minha índole se corrompeu. Eu não posso deixar isso acontecer de novo. Nesse mesmo dia, escrevi um texto que ficou como rascunho, e postei no ano de 2021, pois senti que as circunstâncias pediam pra ele sair. 'stava nublado e triste, igual hoje. Somente na mesma data mas cinco anos atrás, fazia Sol. Eu revisitei esse maldito dia três vezes.

... "Imortífero", é como um  toque de Midas: aquilo que entra em contato, se solidifica e brilha, tal qual ouro. Um estrada imortífera, contém pedras e espinhos pontudos que ao invés de destruir, constróem. Imagina que ao pisar num espinho, ao invés de furar o pé, ele o atravessa como fantasma e aquilo que dentro de você seria uma cavidade, se torna algo vivo, e passa e tremular e pulsar. Vida também machuca; uma pessoa com cortes imortíferos, é um alojamento de feridas vivas, que vibram pelo corpo, invandem lugares dentro de si, se alojam nos olhos, e você não enxerga a frente e cai. Aparecem na boca, e suas palavras se tornam incompreensíveis. São como parasitas - imagina carregar esse tanto de feridas vivas, se mexendo e usando seu corpo como casa. Mas são quase espíritos na verdade, e cada qual só quer sobreviver. Todo ser vivo só quer uma coisa em última instância: permanecer vivo. Se venho a soar como ameaça, é porque algo dentro entende que irei ameaçar essa condição. Mas isso aqui, não é diferente de um filme que lhe dá medo ou faz chorar. Eu não sou uma ameaça, tampouco, tenho inimigos ou sou inimigo de alguém; isso aqui é como um filme e bom... dada a situação de minha vida nos últimos anos e minha pouca resistência e estrutura ante certas adversidades, isso aqui é o melhor que consigo fazer. Sério. Isso não me torna um Homem? Esses ferimentos precisam sair, caso queira ter alguma chance de viver. Entende? ... me surpreende que haja quem se importe ou antes, se incomode com esse espaço aqui. Todas as pessoas que tiveram acesso simplesmente não ligavam, sendo elas de meu íntimo ou não. Textos de zero, um e dois leitores, ganharam dezenas. Eu gostaria de ficar contente com isso, mas basicamente, cada texto desses, apesar de me ter e percorrer, não pertence a mim, pertence a quem reage a eles. De novo, sem querer ser retórico, vale pensar não pra mim, mas pra si, por qual razão isso aqui incomoda ou mexe ou comove ou seja lá que reação cause. Feliz ou infelizmente, isso não me diz nada, mas com certeza, a quem se conecta, diz alguma coisa. Mas por quê diz? Por quê mexe? 

   Preciso refletir aqui, pesquisar as coisas que mexem e me abalam, para tornar minha estada aqui viável. Tudo que escrevo é de coração, e não é ocultando isso, que serei menos ou mais Homem. Isso sequer é uma questão. Não é sendo igual a meu pai, ao gerente de onde trabalho, ao amigo que me aconselhou, que serei "Homem", isso não é uma fórmula que você copia e resolve. Cada qual têm seu modo. Na verdade, ao me imporem um modelo, no fundo isso é um exercício de dominação, logo, me torno "Homem" na medida a qual me submeto, é isso? Apenas certa forma, a forma que me falam, é a correta? ... me lembro de três situações em momentos variados da vida, que vieram com essa questão. Ninguém que me insinuou isso, salvo uma exceção, cuja vida privada desconheço, era alguém exemplar. O que queriam de verdade, era que eu melhorasse ou que eu fosse igual a eles? No segundo caso, por quê deveria seguir isso? Pra ser menos estranho? Olha, acredito que ainda não alcancei esse status de "Homem". E falo sério, faltam coisas; no entanto é a primeira vez na vida que tenho ciência disso. Ainda vai demorar um pouco. Mas, se ser "Homem", é encarar de alguma forma seus demônios, eu 'stou no Caminho. Eu sinto o peso de minhas ações e conseqüências, todo maldito dia. Não se julga a dor dos outros, todos têm batalhas, mas enfrento guerrilhas internas diariamente. E pago o preço por isso. A espera, as dores de cabeça constantes; meu coração dói SEMPRE. Você consegue imaginar acordar e quase todo dia, parecer que tem uma mão dentro do seu tórax apertando seu coração, beliscando ele? Do nada sento e meus olhos lacrimejam, a respiração pesa. A cabeça dói, e eu sei que não é algo que remédio fará passar. Isso não é vida; eu acabei, devido uma série de circunstâncias, vivendo uma não-vida. Minha folga quando e se consigo fazer algo prazeroso, se resume a fazer planejamento de coisas que só conseguirei quitar em um ano ou mais. Eu paguei e pago o preço: cada ano que passa, meu humor piora. Nem de longe eu sou brincalhão como fui em 2015, 2018 ou 2019. A cada ano, venho sorrindo e brincando menos. Se eu não escrevesse, não teria constatado isso. Eu 'stou vivendo a esmo, sendo que não tenho as qualidades necessárias pra levar um dia-a-dia maquinal. Não ainda, mas em breve; um "Homem" prescinde desse atributo, e se falo que ainda não sou, dentre os fatores, ainda não tenho qualidades como essa. Mas tenho tentado. Isso não significa algo bom? Ou acreditam que é possível conseguir essas qualidades do nada, assim, no momento que quiser?

... Infelizmente, certas características são como cozinhar: você passa uma hora preparando a refeição, meia-hora com a louça e quando muito, vinte minutos comendo. É um esforço desigual, descompensatório, e aqui, se me entendem, também é minha cozinha. Eu preciso sangrar e me entregar muito pra CADA palavra aqui. Mas, quando releio, eu passo a entender mais a fundo algo, eu me curo um pouco. Apesar de tudo, eu preciso disso, e como já disse umas vinte vezes, isso é o melhor que consigo fazer. Acredito que meu Caminho passa necessariamente por aqui. Isso não é uma perseguição. Em breve, mil dias terão se passado desde que uma ausência mexeu muito comigo. Dentro de todo esse período, eu nunca tentei ir à casa ou ambientes dessa pessoa, não porque não quisesse ou tivesse medo de qualquer coisa, mas porque não seria justo. Olha, como já disse, não sou nem um pouco perfeito, e infelizmente, sou condenado a errar, eu sou gente, e infelizmente, essa cautela não me pretegeu de cometer outras injustiças. Mas eu desde o começo do fim, respeitei o espaço físico, nunca o invadi. Passado um tempo, depois d'eu ter me comportado de forma péssima, enchendo o saco de entes queridos, consegui conter o desespero interno, e respeitar o espaço social. Ainda faltam melhoras, mas 'stou sendo sincero, honesto, limpo. Não sou perverso, não mais. Eu erro. Mas irei corrigir. Agora aqui, esse espaço aqui, é meu. Não é certo me tirar meus sentimentos. Imagina um amigo ou parente que você gosta, mesmo que não seja recíproco, entrar na sua alma e ameaçar te destruir se você pensar nele. Recíproco ou não, tal pessoa é querida, ela não tem e não pode ter ingerência sobre seus sentimentos. Você gosta ou admira a pessoa e ela não, paciência... mas não é justo ou possível ela retirar aquilo que você sente. Não tem como fazer isso. E eu preciso pensar e acolher isso pra ter uma mínima chance de fechar as feridas. Todas pessoas não ligam pra cá, não se importam; por quê aqui mexe com quem reclama? Isso não está sob meu domínio, e agora, com a mentalidade frágil que 'stou, não consigo fazer melhor. Talvez em breve, não sei, mas por agora, o que consigo fazer é isso. 

   Não tenho medo de conseqüências físicas. Eu não sou inimigo de ninguém. Eu 'stou longe, e nunca entro nos limites físicos ou sociais. Eu não sou um monstro, maníaco ou qualquer coisa do tipo. Mas tenho sentimentos, memória, sofrimento, dor, esperança, sonhos, medos. Eu sou uma pessoa, tanto quanto qualquer uma que me visite aqui. Eu não entendo essa raiva e até sarcasmo de mim. Perguntaram se queria conversar com alguém querido, se penso nisso. É óbvio que sim, todos os dias. Se me convidam pra uma cerveja, acredito que é pra fazer amizade. Primeira coisa que penso se ouço algum movimento, é se as pessoas estão bem, sem acidentes, com integridade física. Fico preocupado. E depois, em diálogos, quando me solicitam, eu 'stou sempre presente, mesmo pra me ameaçarem. Não sou pesado com as palavras, o que me perguntam, respondo, mesmo aquilo que descubro depois, será usado contra mim. Mesmo pra me prejudicar, sou solícito. Entendo que cometi erros, e esses geraram conseqüências que fizeram isso acontecer. Apesar de tudo, não é uma situação com culpa ou culpados. Lamento pelas coisas estarem dessa forma, nunca quis ser escroto, embora eu sei que fui inconveninte diversas e diversas vezes. Creiam que nunca foi por mal. Mas isso aqui não é um portal gossip, pra que se ofendam. Todos temos um blog, seja público ou não, e um blog não é uma arma, é um espaço, é uma reflexão. Aqui é um divã, um espelho, um caldeirão. Esse lugar existe a quase dez anos, aqui, é um processo. São os pedaços do que sinto, como percebo as coisas. Fico triste em saber que se ofendem com aqui. Isso aqui não é ofensa. Nem lisonja. Apenas é o que é.

... meu coração está mais leve agora, e eu na escuridão. Independente de quem passe por aqui, seja conhecido ou não, estrangeiro ou não, cada pessoa que gasta um tempinho dividindo essa refeição comigo, gastando um pouquinho as retinas aqui, saiba que é muito querida. Cada texto que eu faço é uma pequena ponte, como uma cerveja que você oferece como sinal de paz. Eu também quero paz. Eu achei que um eventual convite pra cerveja, seria pra fazer um amigo. Isso machuca muito, mas tudo bem... eu ofereço as palavras daqui como alimento: a comida aqui é imortífera; não é saborosa, talvez seja meio extravagante na apresentação, mas ponho tudo de mim aqui. Que Deus abençoe cada pessoa que passa por esse espaço, independente de qualquer coisa.

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