Antes de comentar sobre o trabalho que tive ou sobre o sonhos de qualquer tipo, acho importante comentar sobre outra coisa, que é minha impressão de que há algo errado com os términos: certa vez ouvi falar que a vida é feita de ciclos, mas isso não é verdade sempre, pois um ciclo só é um ciclo quando ele começa de onde terminou, até que não seja mais possível; tipo o ciclo da chuva: ele começa e se encerra na precipitação e só vai deixar de existir quando não houver mais água ou quando a Terra for tão quente que a água só exista na forma de vapor, etc... Tem que ter algo muito maior pra interferir, para que esse ciclo não se feche mais - usando essa lógica, não há muitos ciclos. Trabalhei pouco mais de um mês numa exposição, e me recuso a acreditar que uma nova exposição é um novo ciclo; seria se os personagens envolvidos estivessem presentes novamente, mas não é o caso; pode ser um ciclo com a empresa ou com a tarefa, mas não com as pessoas com as quais trabalhei, que é o que me causa uma impressão mais funda.
No dia seguinte ao encerramento, levantei e não quis acreditar que tinha acabado. Lamentei. Fiquei muito chateado. No dia anterior tentei dizer com as melhores notas de minha voz, a minha coordenadora como estava grato pela oportunidade; uma colega de sala que tive, com muito mais experiência alegou ter feito entrevista pra trabalhar na exposição, e ao saber disso, não pude deixar de ter uma sensação diferente - nem sei dizer de que forma estou agradecido, pois também nisso "a ficha não caiu"; fica a pergunta "por quê eu", que mesmo tendo sido respondida, não sacia minha fome; em minha colega de trabalho tentei dar o abraço mais apertado que tinha; nem tive tempo e jeito pra dizer o quanto a acho interessante - apesar de distante. Talvez se me sentisse menos deslocado, iria propor uma relação um pouco diferente, aproximação. Ainda sim, foram três pessoas que me passaram muita coisa, e não sei como gerir isso, que é bom, mas me faz lembrar de como não aprecio os finais.
Tive dias menos vazios; agosto pareceu excepcionalmente longo, e pra variar, cheio de pedaços e despedaços: as dores em torno de minhas relações; as faltas nas aulas; imaginei ver uma lista de filmes com a garota das andorinhas; alguns projetos; algumas dívidas; algumas escolas, alguns grupos especiais; algumas "vitórias". Poucas, mas algumas. Duas meninas fizeram um desenho pra mim e não pude retribuir; recebi a visita de pessoas que nem esperava ver, e ainda estou surpreso com isso.
Liniers e seu balão vermelho... Alegria é algo frágil como um balão vermelho.

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