XXII/XXVI
Após a partida, seja de pessoas próximas ou animais, evito pensar demais no tema de fórma objetiva - salvo o impacto inicial, diria que as coisas vão para o Oceano, cáem um tempo submersos, camada a camada até que a luz da superfície não chegue, e lá ficam um tempo. Meus mortos são "enterrados" na água. Talvez como metáfora do útero, a água como origem da Vida, lá deixo pra que talvez em meses ou Eras, renasçam. Gosto de me entender como cético, mas sei que isso é meia-Verdade; aos que ao contrário de mim, não ficam brigando com conceitos ou com a própria Vida, esse seria o maior dos confortos: poder deitar e ter a certeza absoluta e comprovada de que jamais desapareceria; apenas um sono, e ao abrir os olhos, a Vida continua e os que partiram estão lá; isso é o pano-de-fundo, creio, de quase todas religiões. Talvez, como no mundo Hindu, tudo seja cíclico, e daqui algumas Eras que mal consigo conceber, tudo ocorra novamente; por ora, mesmo com alguma Esperança submersa, isso não parece ocorrer. Assusta um pouco reviver, mas parando pra pensar, das poucas vezes nas quais experenciei algo similar a extinção, a sensação é muito, muito maior, o Pavor, o susto, o Desconhecido. A menos que a Vida acabe por se tornar um Tormento, ninguém quer Dexistir.
... Mas talvez essa seja a maior paz; submergir e não voltar.
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