XXI/XXVI



   Já se imaginou tornar-se amigo ou criar afeição por algo capaz de destruir-lhe? Algo com traços humanos, mas não-humano em verdade - creio que o trauma nos cega: é ele e talvez um ou outro sentimento, que aos poucos ou aos tantos, se alimentando de nossa cognição, faz com que o inanimado nos pareça Espiritual, o Desejo em (falsa) profecia, o Engano em algo parecido com acerto.


   Se perco um filho, terei tanta saudade como se jamais tivesse ido, mas ele se foi - e é nessas, pra se resguardar das feridas que ainda estão frescas, que tudo ao redor póde começar a parecer maravilhoso e bom, quando em Verdade, está tudo horrível. Já fui tempestade sem abrigo, e quem 'steve comigo se encharcou e ficou doente; da mesma forma, já vi luz e caminho em lugares nos quais não haviam porta alguma.


   Admiro a força de quem consegue ter afeição e compaixão com o Parasitismo e a Morte - eu próprio certamente já ocupei esses lugares, então, por quê não aniquilar tudo? Não seria melhor, e deixar que aquilo que é saudável sobreviva? ... ou advogar pela Vida, e pelo suposto "Direito de Viver" de todas as coisas? ... isso não é tema resolvido pra mim, sou do tipo que gosta de observar e entender, sou moroso. Contudo, gostaria igualmente de não ter mais afeição por nada nem ninguém - é a fórma errada de se viver, mas gostaria nalgum lugar que assim fosse.

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