Tive o prazer de conhecer ótimas pessoas ao longo de quase 30 anos; claro que deve haver pessoas que conheceram muito mais que eu, mas as que conheci, são "minhas"!; Posso até estar esquecendo uma ou outra enquanto escrevo, mas me lembro da maioria, acho. E lembro também do tipo de atitude que tive em relação a maioria: lembro da primeira garota que rejeitei, daquele colega que lá na terceira série queria ser meu amigo, a galera do futebol ocasional, o garoto que bateu em mim no Pré II, e tantas outras, e penso, tento relembrar como era com elas.
Não sei o valor disso, não sei nem mesmo o porquê, visto que muitas nem mesmo sabem que lembro desses detalhes. Talvez seja aquele processo de "validação", procurando coisas que tornem a vida válida.
Num dos blogs da minha lista de leitura, o escritor relata seu amor mal executado, mas cheio de perdão e reconciliação; quantas vezes isso não aconteceu? Chego a lembrar de pessoas, com uma nostalgia estranha, aquela namorada com quem sempre brigava, aquela outra que nunca podia passear com ela.
Raramente há oportunidade de dizer para uma pessoa fora do primeiro "círculo", o quanto ela foi importante na construção de sua psique, e é raro muitas vezes por mero orgulho ou timidez - muitas vezes a pessoa não fez ou faz nada, mas por algum motivo seu afeto se aproxima dela, sem que a mesma desconfie da intensidade disso muitas vezes.
Aí vem a parte chata, que é a teorização, apesar de gostar de dessa parte na verdade - sobre os "tipos de pessoas"; mas acho que pelo menos pelo que pude reparar, dá pra separar as pessoas mais pelo modo como lidam com as coisas, algo como os que se afogam na decepção, os que fingem que ela não ocorreu, os que partem pra novas tentativas, enfim. Acho que Kundera tratou de uma classificação mais ou menos parecida em "A Insustentável Leveza do Ser".
Recentemente li num outro texto, de um outro ótimo blogueiro, que é mentira essa coisa de "ficar só", pois somos essencialmente sociais; e concordo com ele, contudo, acreditava até algum tempo atrás que havia "espaço" para todos, mas na prática minha teoria parece ruir um pouco.
Há muitas pessoas difíceis e excêntricas, e quando debato sobre pessoas com histórico complicado, me dão os exemplos dos bem sucedidos, dos que se destacaram, mas quantas pessoas, inclusive dentre as que relatei no começo do texto, tem um "lugar ao sol" hoje? Nem todos terminam suas vidas "bem", não pelo menos no sentido do senso-comum. E mesmo nos livros e séries, muitos protagonistas acabam sem sanidade ou de forma desolada e trágica. Os estranhos costumam morrer antes, ainda que simbolicamente.
Tento colecionar as lembranças dessas pessoas, para iluminar a estrada; por um momento me sinto com muito mais que 26 anos. ...Se pudesse encontrar cada amigo, colega, namorada, rolo, patrão, professor, companheiro de trabalho, paixão, o que diria? Será que entenderiam minhas palavras?

Comentários
Postar um comentário