Veio d'um pedaço de terra enlameada mas não se deu conta - quase a deriva deslizou pelo oceano, segurado apenas por um estreito elo orgânico.
Se desesperou ao ver o suposto nascer do Sol e logo descobriu que sua face era como a da caveira, mas oculta, por detrás de várias e várias máscaras. Atrás de cada expressão desenhada e revista no espelho, são os ossos que lhe sorriem. Sempre, pois são eles que "rirão" por último.
Alguma face é mais que uma máscara? Uma ponte entre o que se deseja ver e a verdade?
Belo ou feio são insignificantes quando se passa pela morte - e pessoas e animais e continentes. Ela guarda e aguarda.
Se Narciso soubesse e visse que debaixo de seu rosto havia apenas os ossos, ele teria se afogado? Ou justamente por ter num lapso visto isso, que ele beijou a doce ilusão, antes que a verdade lhe roubasse a sanidade?
A culpa das pessoas, dos homens, mulheres, causas sociais, políticos, do destino. A culpa da vida.
Mas, Kundera aponta, "Livro do Riso e do Esquecimento": mesmo as aves só anseiam e desejam falar de si: seus problemas, suas dores, suas alegrias. Apenas. Viver o outro pode realmente ser experimentar o {[("inferno") . ~"efetivamente"]} + (???)¹²³. ...A distância é tão vasta e inóspita?
A culpa da vida; mas nada que um pouco de álcool não alivie; ou de crack, para se sentir onipotente, ou de pó para brincar de Rei Macaco na mão de Buda - com a
A culpa de Narciso/deixar de pensar ou dexistir? Se não entro no "jogo da vida", com todas suas ilusões, estou apenas a um palmo do espelho, admirando o reflexo; se mergulho não estou sendo Narciso, mas e se ao mergulhar estiver apenas ludibriando a mim mesmo? Não será uma forma de contorna minha decepção, logo, ser Narciso da mesma forma?
Uma companheira de tempos atrás me disse que só sabia viver sendo "inteira". Nunca esqueci. Nunca juntei as peças desse quebra-cabeça, e esse termo se repete no escrever, no que penso, no que vivo. ...Ser "inteira"... O que é isso? Estou decepcionado com minha não sagacidade, essa falta de compreensão; já deveria ter entendido o que ela quis dizer, mas não entendi. Narciso entenderia? Ele era "inteiro"? Ou isso é que é o "inferno", tentar enxergar e viver o ponto de vista de "outro", enxertando-lhe suas raízes?
Meu rosto se crispa de uma dor que não dói. Tão perplexo que me pergunto se de fato alguma vez amei quem quer que fosse; se acreditei em algo; se me importei, mesmo que fosse comigo mesmo ou se existi.
Dexistir, desolar. Um vácuo sem direções. Não existir e saber que não existe. Do sonho e de vida comum, mergulhar até a cruz que um dia sustentou crenças com braços pregados e em sangue. Dexistir, desolar. No fogo de inocentes crepitar. Nas rochas de segredos profundos adormecer. Visão turva. [(É o útero?)]
PS: Imagem do mestre Dave McKean


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