De novo passo a noite praticamente em claro, revivendo tantas coisas que nem paro para quantificar. Nessa noite, com meus olhos em sombras, sonho um pouco para variar: mesmo tendo quase nada de esperança, imagino que posso encostar meu nariz na sua bochecha "Djinn", como um gato faz com seu dono; em seguida lembro de outra pessoa, e de seu abraço apertado; lembro de outra, da época em que ainda beijava com a boca e não só com os lábios, dizendo "você beija como um desesperado!", é mais de meia-década atrás isso, e lembro de outra cujos olhos se iluminavam quando a via.

Nenhuma dessas morreu. Tive alimento afetivo, mas nunca fui bom em alimentar e cuidar; até achava que seria naturalmente bom nisso, mas foi engano, e não me recuperei dessa descoberta até hoje.

"Há pessoas que amam mais e outras que amam menos" - uma frase estranha, saída da boca de um personagem de Neil Gaiman; ele afirma em seguida, que é dos que amam menos.

Será que sou dos que "amam menos"?

Entreguei um pedaço de mim para a "Djinn", mas acho que faltou açúcar. Estou confuso; acho que estava tentando ser "inteiro" e deixá-la sem graça, mas agora tenho medo de tê-la machucado. Só saberei disso entre um e cinco dias; até lá, estou afótico.

Fico me perguntando se mesmo sem querer não lhe disse alguma mentira. Não adianta, sempre carregarei um pouco de culpa, e me pergunto se com esses braços de falhas e com coração fraturado, se sou capaz de um abraço verdadeiro; você consegue ver algum abrigo aqui, no meio de minhas ruínas?

Não sei o que sinto, ou antes, na verdade, o que não quero é admitir o que sinto ou o que deixo de sentir? Posso ser muito orgulhoso pra admitir alguma coisa, tanto a ponto de me enganar? ...Caraca, será que faltei com a verdade?

Sigo perturbado pela sua presença, de forma sinuosa. Acho que corro o risco de queimar minhas "asas" nessa...; mas temo ter sido insensato com você - se fosse um pouco mais infantil, na certa já teria mandando uma pergunta por algum meio, pra saber se te atingi negativamente; mas apesar de escrever isso, aguardo sua expressão do amanhã. Meu medo que espere.

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