Antes de qualquer coisa, deveria agradecer a você; me sinto um pouco estranho pensando nisso e mais ainda escrevendo, pois apesar de lembrar dos fatos sempre, com minhas conjecturas e expectativas, é complicado passar o que quero dizer. Muitas vezes nem sei exatamente o que quero verbalizar.

Quando nossos olhares se cruzaram, outra estava habitando isso que chamo de coração; e ela ainda se encontra lá. As vezes quando relembro nossas conversas, me vem o som das palavras saindo com um "é complicado arrastar você para meu labirinto"; mas parando pra pensar um pouco, você que me arrastou para perto, perto de sua presença...

Somos bem diferentes numa série de aspectos - sou mais caótico, "esquerda", misturo coisas e sensações, nunca me doou por completo, mesmo que pareça; você é dedicada, algo que admiro muito, pois é uma qualidade que me falta, é mais ordenada, simples, e tem uma qualidade meio difícil de achar esses dias: não é uma mulher difícil, geniosa. Bem, nada contra as geniosas e difíceis, ao contrário, mas seu tipo anda em falta, ao menos dentre as com quem converso; no fundo, associo isso a uma compreensão profunda de que a vida já é complicada, não precisa inventar mais, e me parece que você entende isso - muito mais que eu, diga-se de passagem.

Não me lembro de ter me relacionado com alguém sem ter que por uma máscara - sabe, do deixar de fazer isso, falar aquilo, parecer aquilo outro; fomos sinceros até os ossos e fico pasmo de ter visto que você não se escandalizou. E nem eu. A princípio queria apenas ficar só, com meu sofrimento; depois tive uma pequena paixão que logo se esvaiu e depois ela... Com quem não tive coragem de conversar a princípio, naqueles dias frios de Abril/Maio. Nesse meio tempo, enquanto as impressões, a imagem criada ia se fixando, você veio de assalto e posso dizer que me tomou...Me pegou, invadiu.

Nas conversas, você foi me descortinando suas dores - algo essencial para mim em minha mecânica; vi uma pessoa ferida, assim como eu, com a diferença de que talvez não merecesse uma relação, ao passo que você sim. Estava faminto e confuso, e em muito, por minha própria letargia e displicência; confuso com os sonhos que tinha com ela, enquanto as impressões se escavavam mais a fundo; com a "Die", que bem, é um capítulo a parte, como você sabe e por fim, confuso com você. Você me alimentou e hoje, não sei como retribuir ou o que fazer.

Não lembro de ter sido alguma vez de verdade um homem de palavras firmes e claras - tudo que falo é teórico e com um sentido por trás; sempre fui o dos meio-termos, o diplomata, o burocrático e a infinidade de processos que se segue; não lembro de algo que saiba fazer do jeito mais fácil, não num primeiro momento, o que dá no mesmo. Num episódio recente, ouvi "...Por que você não fala? É muito mais fácil", disse "porque tenho vergonha", quando na verdade desejava ter dito outras coisas. Por trás de minha vergonha havia outros motivos, todos escondidos.

Com você vi a simplicidade; um sorriso leve, um jogo de corpo que não achava que fosse fluir tão bem, e uma pessoa que sabe o que quer, sabe dar e receber e se respeitar. Poucos nós a serem desatados. ...Não sei o que o futuro pode reservar; alguns me criticam dizendo que iludo - se serve de explicação, vi muitas situações nas quais a vida deu "uma volta" - fosse trazendo o (passado) cheio de mágoas vindo cobrar explicações, ou trazendo reencontros inesperados que, por conta d'uma risada ou desfecho ensoberbado, acabam arruinados antes mesmo de ocorrerem. Tenho medo da "Roda da Fortuna" e justamente por isso, deixo meu coração aberto, com suas marcas expostas, para que a boa observadora entenda.

O tempo pode não ser agora para mim, apesar de saber de seus sentimentos e emulá-los; posso estar te machucando um pouco, mas... Acho que é um pouco tarde para usar máscaras.

Você permanece viva e acho que mesmo tendo m'espírito vibrando por ela, não seria capaz de encontrar um pouco de luz não fosse o  companheirismo seu a ter me fortalecido. Estava realmente faminto. E pra variar, não sei como dizer o que sinto. Mas saiba que adoro você e que, mesmo que insinuem que não, eu me importo.

PS: foto tirada desse blog: http://loorenacriis.blogspot.com.br/2013/01/quantas-fichas-voce-tem.html

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